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Por que duas tripulações da Nasa estão em quarentena antes de ir ao espaço?

Antes de encarar a Lua e a ISS, astronautas passam por isolamento, parte de protocolo criado na era Apollo para evitar doenças em missões espaciais.

Por Ana Clara Caielli Barreiro 2 fev 2026, 19h00 | Atualizado em 4 jun 2026, 16h34
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Fevereiro promete ser um mês mais do que agitado para a Nasa. No dia 8 de fevereiro, está previsto o lançamento da missão Artemis II, que irá fazer um sobrevoo da Lua. Já no dia 11, a Crew-12 seguirá rumo à Estação Espacial Internacional (ISS). Antes disso, porém, ambas as tripulações e suas famílias precisam passar por uma etapa essencial: a quarentena, que está sendo realizada simultaneamente pelas duas missões.

Os astronautas da Artemis II – Reid Wiseman, Victor Glover e Christina Koch, da Nasa, e o canadense Jeremy Hansen – entraram em quarentena no dia 23 de janeiro, no Johnson Space Center da Nasa, em Houston, no Texas.

A bordo da cápsula Orion, eles irão orbitar a Lua, a 6.500 km da superfície lunar. A equipe testará os sistemas de suporte à vida e o controle manual da nave. Os avanços da missão possibilitarão que a Artemis III leve astronautas à superfície lunar, saindo da Orion para pisar novamente na Lua.

Dada a complexidade da missão, há uma série de testes a serem realizados nos equipamentos, o que pode levar a um eventual adiamento do lançamento. Caso ocorram imprevistos, a equipe poderá sair da quarentena e, com uma nova data definida, reiniciar o período de isolamento.

Se os testes continuarem avançando conforme o planejado, os astronautas serão transportados para o Kennedy Space Center, na Flórida, cerca de seis dias antes do lançamento. Lá, eles permanecem em quarentena enquanto participam dos preparativos finais para o voo.

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Já o isolamento da Crew-12 começou no dia 28 de janeiro, também em Houston. Os tripulantes Jessica Meir e Jack Hathaway, da Nasa, a francesa Sophie Adenot, da Agência Espacial Europeia (ESA), e o russo Andrey Fedyaev, da Roscosmos, serão transferidos para a Flórida no dia 6 de fevereiro.

A missão seguirá para a ISS com o objetivo de conduzir pesquisas científicas e auxiliar na manutenção da estação, que atualmente conta com apenas três astronautas a bordo. 

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A Crew-11, missão anterior, precisou retornar à Terra mais cedo, em 15 de janeiro, devido a uma condição grave de saúde de um dos tripulantes. O episódio reforça a importância dos cuidados médicos com os astronautas – e a necessidade da quarentena.

Fotografia dos quatro membros da missão Crew-12 da SpaceX, da NASA, para a Estação Espacial Internacional, posam juntos para um retrato da tripulação em seus trajes espaciais na sede da SpaceX em Hawthorne, Califórnia.
(SpaceX/Divulgação)
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A medida faz parte de um protocolo da Nasa chamado Health Stabilization Program, obrigatório em todas as missões espaciais. O objetivo é garantir que os astronautas não apresentem problemas de saúde antes do lançamento nem levem doenças ao espaço, onde os recursos médicos são limitados.

O programa determina que os astronautas, seus familiares, amigos íntimos e funcionários diretamente envolvidos na missão permaneçam em quarentena por pelo menos 14 dias antes da decolagem, além de receberem vacinas contra doenças como influenza, rubéola e hepatites A e B.

Antes de ter contato com a tripulação, qualquer pessoa precisa ser avaliada por um profissional de saúde, por meio de questionários e exames físicos. Em alguns casos, pode ser necessário o uso de máscara.

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Os astronautas também adotam hábitos para manter a saúde em dia, como suplementação de vitamina D, prática regular de exercícios físicos, tratamento odontológico preventivo e controle da exposição à radiação.

O Health Stabilization Program foi criado durante o programa Apollo, responsável por levar o ser humano à Lua no século passado. Na época, diversas missões enfrentaram problemas de saúde antes e durante os voos, especialmente entre a Apollo 7 e a Apollo 13. Segundo a Nasa, 57% dos tripulantes apresentaram algum tipo de doença infecciosa antes da decolagem.

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Desde a implementação da quarentena e da imunização a partir da Apollo 14, em 1971, o número de doenças caiu significativamente, sobretudo no caso de infecções do trato respiratório superior e de origem entérica.

Uma curiosidade é que, nas missões Apollo, antes mesmo da criação do Health Stabilization Program, era adotada uma quarentena pós-voo, que incluía a tripulação, a nave e até os materiais trazidos da Lua. Na época, ainda não havia certeza sobre a inexistência de vida lunar – algo que hoje sabemos não ser possível.

Temia-se que os astronautas tivessem entrado em contato com agentes infecciosos desconhecidos, o que poderia representar riscos à Terra. A quarentena pós-voo deixou de ser aplicada a partir da Apollo 15.

Hoje, tanto na Crew-12 quanto na Artemis II, os astronautas retornarão diretamente para casa após o fim das missões.

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