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Prevista para 2024, missão Artemis II é adiada pela terceira vez. Entenda por quê

Vazamento de hidrogênio e falhas técnicas adiam o retorno de astronautas à orbita lunar. A mudança de data, porém, não é de hoje.

Por Ana Clara Caielli Barreiro 5 fev 2026, 19h01 | Atualizado em 4 jun 2026, 16h34
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A missão Artemis II, da Nasa, promete levar seres humanos à Lua pela primeira vez neste século. A bordo da cápsula Orion, a tripulação de quatro astronautas — Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen — realizará um sobrevoo do satélite natural da Terra.

Com duração de dez dias, o objetivo é testar o suporte à vida humana e outros sistemas da nave, avançando em etapas essenciais para que, na missão seguinte, os astronautas possam sair da cápsula e pisar na Lua.

A Orion fará uma trajetória de retorno livre, em que ela contorna a Lua de carona com a gravidade do sistema Terra-Lua, sem necessidade de manobras de propulsão elaboradas, que gastariam muito combustível. Todo mundo precisa economizar.

A Artemis II, porém, vai acontecer mais tarde do que o previsto. O lançamento, inicialmente marcado para 8 de fevereiro, foi adiado para “não antes de março de 2026”. Nesse mês, as janelas possíveis são os dias 6, 7, 8, 9 e 11. Depois disso, as próximas datas são só em abril – a decolagem, afinal, depende de uma série de fatores, como condições climáticas.

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Atrasos não são novidade para a missão, que já teve várias datas estipuladas. Inicialmente agendada para novembro de 2024, ela foi remarcada para setembro de 2025 por questões de segurança dos astronautas e problemas no escudo térmico. Em seguida, o lançamento foi adiado para abril de 2026 e depois antecipado em dois meses, para fevereiro – data que, como se viu, também não será cumprida.

Porque foi adiada desta vez?

Antes de cada decolagem, a Nasa realiza testes que simulam todas as etapas do lançamento. Desta vez, os resultados foram positivos até a fase do abastecimento de combustível (2,65 milhões de litros de hidrogênio líquido super-resfriados e oxigênio), que é uma das etapas finais.

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Esse protocolo é chamado de Wet Dress Rehearsal. Em inglês, a expressão “dress rehearsal” é utilizada no teatro para se referir ao ultimo ensaio antes da apresentação oficial. Já palavra wet, que quer dizer “molhado”, foi adicionada para indicar que, no caso da Nasa, este ensaio envolve os líquidos do combustível.

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A equipe conseguiu abastecer os tanques e iniciou a contagem regressiva. Mas, faltando pouco menos de cinco minutos para o lançamento simulado, foi identificado um vazamento de hidrogênio líquido. Esta falha já havia ocorrido durante a preparação para a Artemis I, e conseguiu ser contornada. Assim, em 2022, essa primeira missão levou a cápsula Orion em uma órbita lunar sem tripulação.

Outros fatores também pesaram na decisão do adiamento, como o frio intenso e os ventos fortes na Flórida, onde os lançamentos costumam ocorrer, problemas nas estruturas de comunicação com os astronautas e atrasos no fechamento da cápsula.

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Os astronautas já estavam em quarentena, uma medida exigida pela Nasa antes de qualquer viagem espacial. Com o cancelamento, eles foram liberados e deverão retornar ao isolamento pelo menos 14 dias antes da nova data de lançamento.

Agora, a equipe realizará os ajustes necessários para que a missão ocorra conforme o esperado. Isso inclui um novo Wet Dress Rehearsal, que, caso não apresente resultados satisfatórios, poderá levar a mais um adiamento.

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