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Qual era o som das florestas jurássicas? Cientistas reconstroem barulho de insetos.

A pesquisa resultou na trilha sonora da minissérie "Os Dinossauros", da Netflix. Ouça e entenda como os cientistas reconstruíram os sons.

Por Amanda Nascimento 29 ago 2026, 14h00 | Atualizado em 2 set 2026, 15h00
Qual era o som das florestas jurássicas? Cientistas reconstroem barulho de insetos. Priorizar nos meus resultados Google

Tecnologia de ponta e vestígios fósseis já nos permitem reconstituir com alta precisão onde, com quem e como viviam os seres de milhões de anos atrás. Um elemento, porém, permanece um mistério: a trilha sonora deste período. 

Ao contrário do que o cinema nos mostra, a ciência não tem como saber exatamente os sons que animais como dinossauros faziam. Em Jurassic Park (Steven Spielberg, 1993), por exemplo, o famoso rugido do Tiranossauro rex foi criado a partir da desaceleração do latido de um cachorro – sem qualquer embasamento científico. 

Três décadas depois, o cineasta americano decidiu se aproximar da ciência. Em “Os Dinossauros”, minissérie da Netflix produzida por Spielberg, a proposta foi ir além e tentar reconstituir, de fato, os sons das florestas da era jurássica (entre 201 milhões e 145 milhões de anos atrás).

O som, claro, não se fossiliza. A estratégia então foi examinar asas fossilizadas e usá-las em experimentos com insetos vivos (e simulações computacionais) para tentar emular os sons de insetos jurássicos. Com a ajuda de tecnologia a laser, os pesquisadores chegaram a medir a vibração, a mecânica e a ressonância das asas. 

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Foi assim que eles chegaram à conclusão de que as florestas da época tinham “um ambiente acústico extremamente movimentado” e alcançavam frequências tão baixas que seriam inaudíveis para o ouvido humano.

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Muitos dos sons também apresentavam uma faixa de frequência estreita – o que especialistas chamam de tom puro. Para os ouvidos humanos, a título de comparação, eles seriam como apitos agudos e límpidos, bem longe dos zumbidos produzidos por alguns insetos atualmente. 

Essa característica pode ter ajudado a espécie a se comunicar em lugares barulhentos, enquanto dificultava a tarefa de predadores de encontrarem sua localização exata. Os resultados desses esforços podem ser vistos na série, no periódico Proceedings of the National Academy of Sciences e no vídeo abaixo.

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Insetos da era jurássica

No estudo, os pesquisadores analisaram 20 fósseis pertencentes a nove espécies ancestrais de tetigoniídeos (mais conhecidos como “esperanças”) e de grilos, que viveram no mesmo local onde hoje fica a Mongólia Interior, na China. Isso permitiu reconstituir um grupo de animais que compartilhava o mesmo ambiente jurássico.

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Primeiro, a equipe testou seus modelos em grilos, esperanças e parentes próximos atuais, usando lasers para medir como suas asas vibram. Em seguida, aplicaram esses modelos às asas fossilizadas e cruzaram os resultados com as frequências de som previstas para os insetos vivos. As simulações computacionais, por sua vez, ajudaram a estimar a velocidade em que insetos extintos voavam. 

Uma dessas reconstituições, inclusive, pode ter resultado em uma descoberta evolutiva: morcegos talvez não sejam os primeiros animais a usar comunicação por ultrassons. Nesse bate-papo, animais utilizam ondas sonoras de alta frequência, acima do limite da audição humana (20.000 Hz), para trocarem informações entre si. E é justamente a comunicação por ultrassom que foi encontrada em um dos exemplos das florestas jurássicas. 

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Pesquisadores apontam para um parente dos esperanças, o Sigmaboilus peregrinu, como o animal mais antigo a se comunicar por ultrassom. Segundo seus cálculos, a espécie produzia sons entre 20.000 e 22.000 hertz. 

Mas os pesquisadores admitem que a reconstituição tem limitações. Ainda que o fóssil mostre o tom e o som básico emitido pelo inseto, ele não deduz a cadência nem o ritmo do som – que são aspectos fundamentais na comunicação desses animais. Esse ritmo depende do sistema nervoso e do movimento das asas, que não ficam preservados nos fósseis.

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