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Se somos primatas, por que temos tão pouco pelo no corpo?

Façam suas apostas: nossa carreira de macaco pelado pode ter começado por causa da água, dos parasitas – ou até em nome da paquera

Por Reinaldo José Lopes Atualizado em 5 jul 2017, 11h42 - Publicado em 31 Maio 2008, 22h00
paulafrench/iStock

A culpa é da savana

Há quem defenda que a nossa espécie deixou de ser peluda por razões de adaptação a um ambiente relativamente hostil: a aberta e ensolarada savana africana. É que nossos primos mais próximos, os chimpanzés e gorilas, sempre foram bichos de mata fechada, e os mais antigos fósseis de nossos ancestrais também vêm de áreas cobertas de florestas densas.

Viver na savana implicava estar em contato com uma quantidade muito maior de radiação solar, além de caminhar distâncias maiores. Assim, teríamos perdido pelos para ajudar a regular a temperatura do nosso corpo. O problema é que existem por aí inúmeros bichos de savana – e inclusive alguns primatas, como os babuínos – que continuam peludões e vivem nesse ambiente quente sem a menor dificuldade.

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A culpa é da água

E se, nos primórdios da nossa evolução, tivermos passado tanto tempo dentro de rios e lagos que viramos um “macaco aquático” pelado? A ideia parece maluquice completa, mas ainda é defendida por um ou outro antropólogo por aí.

Se eles estiverem certos, a falta de pelos (ou, para ser mais exato, a presença majoritária de pelos tão finos e curtos que é como se eles não estivessem lá) seria só um aspecto da adaptação geral do nosso corpo a ficar um tempo considerável dentro d’água. Outras “pistas” incluiriam o fato de andar em duas pernas (supostamente para conseguir ficar em pé em áreas relativamente profundas), a nossa gordura corporal, que ajudaria a esquentar nosso corpo no molhado, e a pele cheia de glândulas sebáceas, ou seja, “à prova d’água”.

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A culpa é dos parasitas

Todo mundo que já teve um cachorro pulguento em casa, ou entrou no meio do mato com uma blusa de lã, sabe como parasitas de todo tipo adoram grudar em pelos. A nossa espécie teria dado um salto evolutivo ao se livrar do casaco de pele embutido e, com isso, eliminar os parasitas que se grudavam ali – com exceção dos piolhos e daqueles bichinhos que moram nos pelos da genitália, é claro.

Ok, faz sentido. Mas, se a ideia é tão boa, por que outros bichos não a “reinventam”, por assim dizer? Os defensores da hipótese parasitária afirmam que a perda dos pelos só foi possível graças à evolução conjunta de genes e cultura. Nós aprendemos a fazer roupas – e isso teria eliminado a vantagem que os pelos ainda trazem para outros animais da Terra.

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A culpa é do xaveco

A última explicação possível chega a ser ridícula, de tão simples: porque os homens (e as mulheres) acham superfofo um parceiro peladinho. Em termos mais científicos, trata-se da chamada seleção sexual – circunstância na qual a preferência por uma característica, considerada atraente por algum motivo, acaba levando ao seu fortalecimento numa espécie. É como a cauda dos pavões: seria preciso ser cada vez mais pelado para conseguir um parceiro, levando a característica a se espalhar, e ficar exagerada, na população inteira.

Poderia haver uma interação entre essa ideia e a dos parasitas. Se um indivíduo com pouco pelo tem menos carrapatos e coisas do tipo, parceiros em potencial poderiam considerá-lo mais saudável e, portanto, mais desejável.

Poucos mamíferos se livraram dos pelos como nós. A maioria deles pertence a espécies que são totalmente aquáticas.

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