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Shenzhou-23: missão espacial chinesa testará efeitos do espaço no corpo humano por 1 ano

Na estação espacial chinesa, a tripulação fará mais de cem experimentos científicos, incluindo pesquisas sobre saúde e sobre cultivo de plantas no espaço.

Por Ana Clara Caielli Barreiro 1 jun 2026, 08h00 | Atualizado em 3 jun 2026, 11h11
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No dia 24 de maio, a Agência Espacial Tripulada da China (CMSA, na sigla em inglês) lançou três astronautas ao espaço. Eles estavam a bordo da espaçonave Shenzhou-23, que também dá nome à missão. O lançamento, feito pelo foguete Long March 2F Y23, ocorreu no Centro de Lançamento de Jiuquan, no noroeste da China.

Cerca de dez minutos após a decolagem, a espaçonave se separou do foguete e entrou em órbita com sucesso. A tripulação seguiu rumo à Tiangong, a estação espacial chinesa localizada permanentemente na órbita terrestre.

Por lá, a equipe chegou para substituir os astronautas da missão Shenzhou-21, que permaneceram mais de 200 dias na estação. A nova tripulação agora conta com Zhu Yangzhu (comandante), Zhang Zhiyuan (piloto) e Lai Ka-ying (especialista em carga útil).

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Agora, a Shenzhou-23 ajudará a desenvolver a Tiangong, realizando instalação e manutenção de equipamentos e caminhadas espaciais. Também farão mais de 100 experimentos científicos nas áreas de medicina, ciência da vida, física e ciência de materiais.

Entre os estudos previstos estão pesquisas com embriões humanos artificiais (não são embriões reais, mas sim estruturas cultivadas a partir de células-tronco que não podem gerar um feto) e sementes de plantas, para investigar a possibilidade de gerar e sustentar vida no espaço. Os cientistas irão cultivar duas gerações de arroz em microgravidade e analisar geneticamente as amostras. Parte das sementes também será exposta diretamente à radiação espacial fora da estação.

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A principal tarefa é estudar como passar longos períodos no espaço afeta o corpo humano. Para isso, um dos astronautas ficará na Tiangong por um ano, com a saúde monitorada. A agência espacial chinesa ainda não revelou qual integrante da tripulação permanecerá mais tempo.

Caso a meta seja cumprida, o astronauta quebrará o recorde chinês de permanência no espaço, que atualmente pertence à missão Shenzhou-21.

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A pesquisa escolhida servirá como preparação para futuras missões espaciais chinesas de longa duração, especialmente projetos lunares. Sistemas médicos serão aprimorados e testados. Entre os pontos analisados estão os efeitos da microgravidade no processamento de gordura no fígado, a perda de densidade óssea, a exposição à radiação cósmica e até impactos psicológicos. 

Uma curiosidade é que Lai Ka-ying é a primeira cidadã de Hong Kong a participar de uma missão espacial tripulada chinesa. Hong Kong é uma região administrativa especial da China marcada por tensões políticas com a China nas últimas décadas. Durante a missão, ela ficará responsável pelos experimentos científicos realizados na estação.

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A Shenzhou-23 também representa uma nova fase do programa espacial chinês, que vem aumentando a complexidade e a duração de suas missões. Até então, as missões chinesas à Tiangong costumavam durar cerca de seis meses. Em 2019, a China se tornou o primeiro país a pousar uma sonda no lado oculto da Lua. Já em 2021, levou um rover para Marte.

A China também planeja realizar uma missão lunar tripulada até 2030. Os Estados Unidos, por sua vez, pretendem levar astronautas de volta à superfície lunar até 2028, no programa Artemis. Ambos os países têm a ambição de construir bases científicas na Lua, algo que exigirá novas tecnologias e sistemas.

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Para muitos especialistas, trata-se de uma corrida espacial entre China e Estados Unidos.

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