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Sob as ondas, a 2 000 metros, numa boa

O maior segredo dos peixes abissais é a sua notável capacidade de sobreviver a pressões muito altas. Um exemplo é o feíssimo Anoplaster cornuta, que mora a mais de 1 500 metros de profundidade, nos abismos marinhos. Durante décadas, os cientistas tentaram entender como é que esses animais conseguem manter o formato das suas proteínas em condições tão hostis – lembre-se de que proteínas deformadas não funcionam. Os biólogos americanos Paul Yancey, do Whitman College, em Washington, e Joseph Siebenaller, da Louisiana State University, encontraram pelo menos uma parte da resposta. Analisando proteínas de animais que vivem em profundidades diferentes, eles encontraram quantidades distintas de uma molécula chamada TMAO. Quanto mais fundo, maior o teor dessa molécula. A dupla desconfia que a TMAO seja a responsável pela conservação da forma das proteínas. Ela impede que moléculas de água fiquem presas nas proteínas e mudem seu formato, tornando-as imprestáveis.