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Todo o azul do mar

Debaixo d¿água há um outro mundo, praticamente inexplorado. Peixes estranhos, plantas curiosas, formações rochosas tão antigas quanto o início dos tempos. Um cenário que ajuda a contar a história do Planeta Terra

Texto Tatiana Achcar

Águas rasas – 0 a 300 metros

Ainda com luz

O sol tem efeito apenas nos primeiros 100 m, onde ocorre fotossíntese. A 150 m, só há animais. Águas rasas tropicais não têm nutrientes para o plâncton, base da cadeia marinha.

Fabricantes de areia

Quando sai para comer, o peixe-papagaio arranca nacos de corais cobertos por algas. A sujeira do coral esfarelado dá origem à areia macia e clara das praias tropicais.

Mosaico natural

Nas águas quentes dos trópicos, os recifes de coral abrigam um quarto de toda a fauna marinha do planeta. São constituídos por pólipos, animais parecidos com anêmonas em miniatura e que crescem 15 cm por ano.

Seres camuflados

As nadadeiras do peixe-voador são um disfarce e ajudam a afastar a areia na busca do alimento. Por outro lado, o polvo Wonderpuss tem a mordida tão forte que conta com alerta especial (corpo zebrado) para afastar os desavisados.

Capinzais aquáticos

Quilômetros de zostera, única planta frutífera que cresce no mar, sustentam animais como o dugongo, que mede 3 m e pesa meia tonelada. Um grupo de dugongos pode devorar um campo de futebol de zostera por dia.

Planícies abissais – 300 a 4 000 metros

Lá vem o sol

O sol poente desencadeia a maior migração de organismos vivos do planeta: 1 bilhão de toneladas de seres deixam a escuridão e vão para as águas rasas todas as noites.

Rápido e violento

O peixe-víbora é uma verdadeira fera: com até 60 cm de comprimento, ele usa seus enormes e pontiagudos caninos, que nem cabem dentro da boca, para empalar suas vítimas.

Fera barbuda

O peixe-dragão-de-mar-profundo tem cerca de 15 cm e uma cara bem esquisita: a ponta da barba que sai de seu queixo serve para emitir luz e assim atrair suas presas, que são estraçalhadas pelos seus dentes afiados.

Ele é o demo

Dá medo de olhar para o peixe-pescador-de-mar-profundo (Melanocetus johnsonii). Por seus dentes ameaçadores, ganhou o apelido de diabo-negro. Possui um antena luminosa na espinha dorsal para atrair suas vítimas.

Chão de estrelas

O assoalho do oceano é dominado por equinodermos – pepinos-do-mar, estrelas-do-mar, ouriços-do-mar, lírios-do-mar e seres como a Medusa periphylla, que dá um show de bioluminescência.

Profundezas oceânicas – 4 000 a 11 000 metros

Noite eterna

A vida nas profundezas é uma noite gelada infinita. Algumas espécies se adaptaram, como o peixe-ogro, caçador agressivo que possui os maiores dentes do oceano.

Varredor profissional

O Eurypharynx pelecanoides, ou peixe-boca-de-guarda-chuva, é bem esquisito: tem uma cauda sensitiva que mede 1 m e sai da cabeça. Essa cauda corresponde a 25% do seu corpo.

Minhocão vermelho

As poliquetas são uma espécie de verme das profundezas. Possuem uma cor vermelha intensa e vibrante. Medem de 5 a 10 cm – porém, há espécies gigantes que chegam a 3 m de comprimento.

Roedor das profundezas

Na fossa das Marianas, onde a pressão é 1100 vezes maior do que no nível do mar, sobrevivem bactérias, minicrustáceos e peixes de uma única família: os rattails, que possuem cauda semelhante à dos ratos.

Fervura fértil

As fissuras hidrotérmicas são chaminés enormes despejando água aquecida a 400 0C pela lava vulcânica, que alimenta bactérias como a Pyrolubus fumarii, o início de uma cadeia alimentar oceânica de mais de 500 espécies.