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Vespa que usava o abdômen para capturar presas é descoberta em âmbar de 99 milhões de anos

Essa vespa parasita não tem nenhum análogo moderno e conta com estrutura que lembra uma planta carnívora.

Por Eduardo Lima 4 abr 2025, 16h00 | Atualizado em 4 jun 2026, 16h20
Vespa que usava o abdômen para capturar presas é descoberta em âmbar de 99 milhões de anos Priorizar nos meus resultados Google

Há 99 milhões de anos, quando os dinossauros ainda rondavam pelos continentes, uma vespa usava o abdômen para capturar presas menores e forçá-las a servir de “barriga de aluguel”, já que a parasita inseria seus ovos no outro animal.

Uma equipe de paleontólogos da China e da Dinamarca analisou 16 espécimes dessa vespinha preservados em âmbar do período Cretáceo, onde hoje fica Mianmar. A espécie de vespas nunca tinha sido descrita pela ciência antes disso, e foi nomeada Sirenobethylus charybdis.

O artigo que destrincha a vespa pré-histórica foi publicado no periódico BMC Biology. Nele, os cientistas comparam a estrutura bizarra no abdômen do inseto parasita a uma planta carnívora, a Dionaea muscipula, já que ambas se “fecham” para capturar uma presa. A semelhança biológica não foi percebida de primeira pelos pesquisadores, que acharam a expansão na ponta do abdômen era só uma bolha de ar por causa da preservação em âmbar.

Quando os paleontólogos perceberam que todos os animais tinham essa “bolha de ar”, eles começaram a investigar essa extensão de barriga. Os cientistas perceberam que era um mecanismo móvel, já que estava em posições diferentes nos vários espécimes encontrados.

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Sem insetos modernos parecidos

É difícil saber como insetos pré-históricos viviam, e por isso os cientistas costumam buscar espécies análogas que ainda estão vivas para comparar. No caso da Sirenobethylus charybdis, isso foi complicado: não há nenhum inseto remotamente parecido com essas vespas. Para encontrar algo parecido com sua estrutura no abdômen, eles precisaram sair do reino animal e ir até o reino vegetal.

Diferentemente da planta carnívora, essas vespas provavelmente não pretendiam matar outros insetos com sua armadilha – pelo menos não de primeira. Na verdade, a hipótese dos cientistas é que elas só queriam depositar seus ovos nas presas. Quando os ovos se chocavam, essas larvas podiam começar a vida como parasitas no corpo dos insetos – e aí, sim, comiam seus hospedeiros completamente.

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Um comportamento relativamente parecido pode ser observado em espécies de vespas parasitas vivas ainda hoje. O que elas fazem é depositar seus ovos nos ninhos de outras espécies de vespas, então suas larvas se alimentam dos outros filhotes de inseto.

Os fósseis de âmbar oferecem uma visualização tridimensional e cheia de detalhes das espécies do passado. A resina é produzida por vegetais, e paleontólogos já encontraram insetos, plantas e até uma cauda de dinossauro preservados em âmbar.

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Mesmo com cerca de um milhão de espécies de insetos conhecidas, ainda há muita coisa diferente para ser descoberta e estudada nos registros fósseis, como essa vespa parasita – e vários outros insetos bizarros esperando para ser descobertos.

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