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Vírus: Guerra silenciosa

O organismo não fica parado assistindo ao ataque dos micróbios. Ele também parte para a briga, com um exército da pesada

Por Débora Lerrer 31 jul 1999, 22h00 | Atualizado em 5 jan 2017, 16h11
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O melhor remédio contra os vírus está no próprio corpo. É um batalhão de células especializadas do sangue, os glóbulos brancos, que se mobiliza ao menor sinal de invasão. Esse exército forma o sistema imunológico, a linha de defesa do organismo. Não fosse ele, qualquer resfriado seria uma infecção mortal.

Uma vez dentro do corpo, os vilões caem na corrente sanguínea e são identificados pelos glóbulos brancos. O reconhecimento é fácil: as proteínas da superfície do vírus, chamadas antígenos, não são produzidas pelo organismo e, portanto, se autodenunciam. Encontrado o oponente, as células do sistema imunológico iniciam uma reação em massa, usando armas feitas sob medida, os anticorpos. Depois da luta, as informações sobre aquele invasor ficam arquivadas, facilitando as batalhas seguintes. “Se o antígeno já é conhecido no pedaço, a resposta imunológica fica muito mais rápida”, disse à SUPER a infectologista Regina Succi, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Nem sempre o corpo ganha a parada fácil. Alguns vírus são agressivos demais e é preciso treinar os glóbulos brancos antes da guerra. Aí é que entram as vacinas. “Você faz o organismo entrar em contato com um micróbio enfraquecido ou morto, incapaz de provocar a doença”, explica a imunologista Lily Weckx, da Unifesp. “Isso basta para deixar a defesa pronta para agir no caso de um ataque real.” Ao encontrar o vilão de mentirinha circulando pelo sangue, as células produzem anticorpos para atacá-lo. Ao mesmo tempo, a ficha policial do antígeno é arquivada na memória celular. Se o vírus aparecer de novo, o sistema imunológico já estará armado até os dentes para dar cabo dele.

Um pedaço basta

Nem sempre é seguro pôr vírus inteiros numa vacina. Alguns são tão perigosos que os cientistas preferem usar só um de seus genes – aquele que fabrica o antígeno, proteína que é reconhecida pelas células de defesa. Uma dessas vacinas high-tech é a anti-hepatite B. Um gene do vírus é emendado ao DNA de um fungo inofensivo, que passa, então, a produzir o antígeno e é injetado no corpo. Aos olhos dos soldados do sangue, ele é igualzinho ao vírus.

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Quem sabe é super

A maioria das infecções provoca a liberação de substâncias como a interleucina-1, que agem no cérebro aumentando a temperatura do corpo. É a febre. Apesar do desconforto que causa, ela ajuda o sistema imunológico: os glóbulos brancos adoram lutar no calor.

Tropa de elite

Uma equipe eficiente e bem articulada patrulha a corrente sanguínea.

1. A INFANTARIA

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O grandalhão macrófago chega primeiro ao local da invasão. Ele engole os vírus que estiverem soltos entre as células e produz substâncias chamadas citocinas, que servem como um alarme químico para convocar as outras células de defesa para a batalha.

2. A INTELIGÊNCIA

O linfócito T auxiliar atende ao chamado do macrófago e faz uma ficha policial do adversário. Esse arquivo químico contém informações preciosas sobre a composição dos antígenos, proteínas da superfície dos vírus.

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3. A ARTILHARIA

O serviço de espionagem passa os dados coletados para o linfócito B, que se encarrega de produzir e disparar anticorpos contra os invasores. São moléculas que se encaixam nos antígenos como uma chave numa fechadura. Assim, eles não podem mais grudar nas células.

4. OS TANQUES

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Então os macrófagos voltam a entrar em ação. Eles passam devorando os micróbios e acabando de vez com a ameaça ao corpo.

5. PONTO FINAL

Por fim, a célula T citotóxica trata de destruir células infectadas, para evitar que os vírus se multipliquem. Sua arma é um veneno que destrói a célula e tudo o que estiver dentro dela. Muitos medicamentos antivirais funcionam imitando a ação dessa matadora profissional.

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Ensaio para a briga

As vacinas usam dublês de micróbio para ajudar o corpo a combater.

1. ALARME FAL

O vírus usado na vacina não faz mal a ninguém. Geralmente está morto ou enfraquecido, incapaz de infectar as células.

2. TODOS A POSTOS

Os glóbulos brancos não querem nem saber se o inimigo está usando balas de festim. Como eles só detectam uma proteína do invasor, o antígeno, o linfócito B arma seus anticorpos do mesmo jeito.

3. FICHA SUJA

As informações sobre aquele antígeno ficam guardadas no linfócito T de memória. Se houver nova invasão do mesmo agente, ele vai estar com a receita dos anticorpos na ponta da língua, agilizando a resposta da artilharia.

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