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Vulcões: Vigilância total

Dia e noite, os cientistas monitoram os vulcões em busca de sinais indicadores da tragédia.

Claudio Angelo

O passatempo favorito dos 5 000 habitantes da Ilha de Montserrat, colônia britânica no Caribe, é ouvir a rádio ZTB. Mas não é em reggae que eles estão interessados. A estação transmite, de hora em hora, boletins com informações sobre a quantas anda a atividade do Monte Soufrière. Em junho 1997, uma erupção forçou o abandono da ilha. A capital, Plymouth, foi completamente destruída. Quem já voltou fica o tempo todo de olho na montanha.

Tanta precaução tem motivo. É impossível prever com exatidão quando um vulcão vai explodir. Tudo o que se pode fazer é auscultá-lo em busca de sinais de que uma erupção está a caminho. Entre as pistas estão os terremotos, as avalanches e a emissão de gases, que mudam a composição química do ar e da água nas imediações. Com técnicas modernas, os cientistas medem esses sinais e estimam qual é a probabilidade de um cataclismo. “Mas não há uma fórmula simples, assim como não dá para dizer com certeza que você vai ter um ataque cardíaco só porque a sua pressão arterial subiu”, compara Terry Gerlach, do Serviço Geológico dos Estados Unidos. Apesar das dificuldades, as previsões estão mais certeiras a cada dia – e são feitas com uma antecedência cada vez maior. Em abril de 1991, cientistas filipinos perceberam sinais de atividade no Pinatubo, na Ilha de Luzon, e começaram a ordenar a evacuação dos arredores do vulcão. No dia 15 de junho, a hecatombe aconteceu. Foi a erupção mais violenta dos últimos 75 anos. O alerta salvou 20 000 moradores.

Quem sabe é super

A erupção do Krakatoa, em 1883, liberou uma energia equivalente à explosão de 5 000 bombas atômicas.

Aparência enganadora

Em julho de 1976, o Soufrière, da ilha caribenha de Guadalupe – não confundir com o homônimo de Montserrat –, começou a dar sinais de atividade. Com medo de uma tragédia parecida com a de 1902, quando o Monte Pelée causou 29 000 mortes na Martinica, o governo mandou evacuar 75 000 moradores. A operação custou 900 milhões de reais e nada de erupção. Era alarme falso. Quatro anos depois, em 1980, ninguém deu bola quando o Monte Santa Helena, nos Estados Unidos, começou a acordar. Dessa vez, era pra valer. O vulcão explodiu, fazendo 57 vítimas fatais.

De olho no bicho

As técnicas dos vulcanólogos para prever as explosões.

O gás aumenta

 

Um vulcão prestes a explodir libera 1 tonelada de dióxido de carbono e 10 toneladas de dióxido de enxofre por dia. Um aparelho chamado espectrômetro de correlação é usado para calcular a quantidade dessas substâncias na boca do vulcão.

 

Mudança no relevo

Quando o magma sobe, a pressão dos gases sobre as rochas provoca terremotos e deforma o terreno. Para checar se a deformação está aumentando, os cientistas fixam um refletor de laser em um ponto da encosta e calculam o tempo que um raio, emitido por um aparelho chamado EDM, leva para chegar até lá e voltar. Se o tempo aumenta ou diminui, é sinal de que o terreno está se mexendo – erupção à vista.

 

Ouvindo a avalanche

Os lahares, as avalanches de lama e pedras, acontecem quando o calor derrete a neve do cume do vulcão. Para detectá-los antes que eles atinjam cidades, cientistas americanos criaram um sismógrafo especial, o AFM, que só capta a freqüência sonora dessas torrentes.

 

Aviso do céu

Hoje em dia até os satélites são usados como bola de cristal pelos vulcanólogos. Eles detectam o aumento de calor e da quantidade de gases tóxicos na cratera. Comparando a mudança das cores nas fotografias de satélite, é possível saber se a atividade vulcânica está aumentando.