Clique e Assine a partir de R$ 12,90/mês
Alexandre Versignassi Por Alexandre Versignassi Blog do diretor de redação da SUPER e autor do livro "Crash - Uma Breve História da Economia", finalista do Prêmio Jabuti.

FGTS não é direito. FGTS é imposto – e parte dele se transforma em Loubutins de R$ 10 mil

Uma parte do seu FGTS paga os sapatos Louboutin de R$ 10 mil da dona Claudia Cunha, mulher do Eduardo, numa operação que transfere compulsoriamente um naco da renda de quem trabalha 8 horas por dia com uma hora de almoço diretamente para os bolsos de Christian Loubutin, o estilista multimilionário que assina o design […]

Por Alexandre Versignassi Atualizado em 21 dez 2016, 08h50 - Publicado em 15 set 2016, 18h56

FGTS-um-imposto-safado

Uma parte do seu FGTS paga os sapatos Louboutin de R$ 10 mil da dona Claudia Cunha, mulher do Eduardo, numa operação que transfere compulsoriamente um naco da renda de quem trabalha 8 horas por dia com uma hora de almoço diretamente para os bolsos de Christian Loubutin, o estilista multimilionário que assina o design dos calçados franceses de couro de cobra.

Funciona assim: o dinheiro do seu fundo de garantia alimenta um banco estatal, o Fundo de Investimentos do FGTS. Esse banco transfere o nosso dinheiro para empresas amigas do poder – seja concedendo empréstimos a juros baixíssimos, seja dando algumas centenas de milhões de reais aos donos das empresas em troca de uma participação societária.

Ou seja: o FI-FGTS é uma mãe. E quem até há pouco tempo decidia quem seriam os filhos dessa mãe era outra cobra, menos bem apessoada que as do sr. Loubutin: Eduardo Cunha. Aparentemente, com um único critério: levava a grana quem lhe pagasse mais.

Quem diz é o ex-vice presidente da Caixa, Fábio Cleto. Numa delação premiada em junho ele soltou que Cunha recebeu suborno em pelo menos 12 operações dessas. Numa delas, o FI-FGTS usou o nosso dinheiro para ficar sócio de uma transportadora de contêneres filiada à América Latina Logística (ALL). A doação em troca de participação foi de R$ 400 milhões. Como agradecimento, a ALL deu R$ 2 milhões para Cunha – mais um pixuleco de R$ 80 mil para o próprio Fábio Cleto, agora convertido em delator.

Outra dessas operações maternais envolveu um empréstimo para a Eldorado Brasil, empresa do mesmo grupo que controla a Friboi. Foram R$ 940 milhões para a Eldorado, que repassou de bom grado 1% para Cunha. Mais um milhãozinho de reais para o trust suíço do doutor Eduardo. Note que alguns centavos desse milhão eram seus, leitor, já que saíram do seu Fundo de Garantia.

“Ah, mas o meu dinheiro está protegido”, diria o leitor mais otimista. Não. Não está. O FGTS te rouba por lei, ao pagar só 3% ao ano de juros equanto o preço do dinheiro no Brasil gira em torno de 14% ao ano. É nessa diferença de juros que você acaba pagando as aulas de tênis da dona Claudia em Miami e mais centenas de pares de Loubutins para as famílias dos empresários beneficiados.

Se continuarmos nessa toada, que não vai terminar nem com a eventual prisão de Cunha, a melhor forma de você ver o dinheiro do seu FGTS será sair do país e virar limpador de piscina na mansão do Sr. Christian Loubutin.

Porque FGTS não é direito. FGTS é imposto. Um imposto que transfere renda da base da pirâmide para o topo – precisamente o contrário do que um imposto deveria fazer.

Continua após a publicidade

Publicidade

Essa é uma matéria exclusiva para assinantes. Se já é assinante, entre aqui. Assine para ter acesso a esse e outros conteúdos de jornalismo de qualidade.

Essa é uma matéria fechada para assinantes e não identificamos permissão de acesso na sua conta. Para tentar entrar com outro usuário, clique aqui ou adquira uma assinatura na oferta abaixo

Transforme sua curiosidade em conhecimento. Assine a Super e continue lendo

Impressa + Digital

Plano completo da Super! Acesso aos conteúdos exclusivos em todos formatos: revista impressa, site com notícias e revista no app.

Acesso ilimitado ao Site da SUPER, com conteúdos exclusivos e atualizados diariamente.

Receba mensalmente a SUPER impressa mais acesso imediato às edições digitais no App SUPER, para celular e tablet.

a partir de R$ 19,90/mês

Digital

Plano ilimitado para você que gosta de acompanhar diariamente os conteúdos exclusivos no site e ter acesso a edição digital no app.

Acesso ilimitado ao Site da SUPER, com conteúdos exclusivos e atualizados diariamente.

App SUPER para celular e tablet, atualizado mensalmente.

a partir de R$ 12,90/mês