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Alexandre Versignassi

Por Alexandre Versignassi
Blog do diretor de redação da SUPER e autor do livro "Crash - Uma Breve História da Economia", finalista do Prêmio Jabuti.
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House of Cards Brasil – A Reviravolta

Segunda, 9 de maio de 2016, 8h da manhã. A equipe de roteiristas de House of Cards Brasil está reunida. – Ferrou, pessoal. A audiência tá indo pro saco – diz o roteirista-chefe – Tamos precisando de novidade na série! – Mas a gente acabou de derrubar o Cunha, chefe, e logo depois da votação […]

Por Alexandre Versignassi Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
Atualizado em 21 dez 2016, 09h48 - Publicado em 9 Maio 2016, 14h40

House of Cards Brasil Super

Segunda, 9 de maio de 2016, 8h da manhã. A equipe de roteiristas de House of Cards Brasil está reunida.

– Ferrou, pessoal. A audiência tá indo pro saco – diz o roteirista-chefe – Tamos precisando de novidade na série!

– Mas a gente acabou de derrubar o Cunha, chefe, e logo depois da votação do impeachment. Se tiver mais reviravolta no roteiro, isso aqui vai ficar mais zoado que Game of Thrones. Não dá pra ficar ressuscitando personagem…

– Pára, pára. Ressuscitar pode ser uma boa. Vamos ver… E se a gente colocar o Lula de ministro do Temer?

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– Esquece, chefia. O público não ia engolir. Não faz sentido

– Não tem que fazer sentido, mané. Um professor de química de 50 anos que vira um puta traficante faz sentido, por acaso? A gente precisa de uma virada forte agora.

– Então e se a gente… Ressuscitar a Dilma?

– Não rola. O personagem não tem carisma. Por que é que você acha que a gente tirou ela da série, porra? Porque a atriz não quis renovar? Acorda.

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– Mas é justamente por isso que eu tô falando, chefia!

– Por isso o que?

– O público sabe como a gente faz as séries. Sabe que a gente mata personagem que não tá dando certo.

– Com os textos que você fez pros discursos dela, aí que não tinha como dar certo mesmo…

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– Desculpa. Eu tava misturando uísque com rivotril na época. Mas então: o público sabe que a gente elimina personagem que não funciona. Então vamos dar pro público a coisa que ele menos espera: a volta da Dilma.

– Mas não faz sentido…

– Professor de química de 50 anos vira traficante também não faz, chefe…

– Tô começando a gostar da ideia…

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– Mas, ei – pergunta outro roteirista – O que é que a gente faz com aquelas setecentas páginas de roteiro sobre o ministério do Temer? A gente passou as últimas semanas enterrado nisso. O Marcos aqui criou aquela história de botar um pastor da Universal na Ciência e Tecnologia. Gênio. A gente também botou o Serra. Vai gerar meme pra caramba!

– Ah, joga essa porra toda fora – diz o chefe – Não tava dando certo. Na real, o pessoal já não falava da nossa série direito desde o episódio 9, o da votação do impeachment. E a nossa meta aqui é voltar pro auge, que nem quando a gente emendou o Lula na Casa Civil com os grampos do Moro. Mas vem cá: como é que a gente vai colocar a Dilma de volta?

– Tem esse presidente novo da Câmara que a gente colocou no lugar do Cunha. É um personagem tampão. Mas a gente pode dar um papel forte pra ele, fazer o cara trazer a mulher pra dentro do baralho de novo.

– Mas ele é do PP. Não vai fazer sentido nenhum…

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– Justamente por isso vai ser mais inesperado, chefia!

– Boa. Então vai lá: taca pau. Inventa aí qualquer coisa pra que ele faça a Dilma voltar.

– Certo. Vou colocar o cara anulando o processo de impeachment. Ele pode alegar que, tipo, foi tudo zoado demais.

– Sem chance, cara. Aí essa merda dessa série vira um Lost, e a gente acaba tudo na rua. Inventa outra.

LEIA MAIS: Impeachment não pode mesmo ser de qualquer jeito

 

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