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Bruno Garattoni

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Vencedor de 15 prêmios de Jornalismo. Editor da Super.

Microsoft mostra o Surface Duo, um smartphone dobrável e com Android

Após a derrocada do Windows Phone, considerado "um dos maiores erros de todos os tempos" por Bill Gates, empresa adota estratégia mais pragmática

Por Bruno Garattoni Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 2 out 2019, 17h11 • Atualizado em 5 set 2024, 08h58
  • Após a derrocada do Windows Phone, considerado “um dos maiores erros de todos os tempos” por Bill Gates, empresa adota estratégia mais pragmática – e adota o sistema operacional do Google

    Foi dessa forma, hiperbólica e amarga, que Gates descreveu a odisseia do Windows Phone: um sistema que chegou tarde, evoluiu devagar, não conseguiu competir com Android e iOS e teve seu desenvolvimento abandonado em 2017. Bill Gates acredita que, se a Microsoft tivesse encontrado seu espaço no mercado de smartphones, hoje seria a maior empresa de tecnologia do mundo. O Windows Phone nasceu e malogrou na gestão Steve Ballmer, quando a Microsoft adotava uma postura imperial: criava suas próprias plataformas e assimilava, utilizando a temível estratégia “Embrace and Extend”, os softwares e padrões criados pelos concorrentes. A tática consistia em “abraçar” padrões abertos ou pertencentes a terceiros, como as linguagens HTML e Java, e “estendê-los” com novas funções criadas e desenvolvidas pela Microsoft, até que ela efetivamente assumisse o controle de tudo. (Algo meio parecido com o que, hoje, o Google está fazendo com o AMP. Mas isso é assunto para outro dia).  

    Ballmer fez a Microsoft ganhar dinheiro e perder protagonismo. Hoje a empresa, em que pese a postura hegemônica do Windows, não é mais a força absoluta de outras décadas. Por isso, em 2014, Ballmer deu lugar a Satya Nadella. E lentamente, aos poucos, a direção da Microsoft começou a mudar. Nadella matou projetos e demitiu 18 mil funcionários, mas sua marca não é o downsizing; é o pragmatismo. Se hoje o Microsoft Office tem versões para Android e iOS, é porque a Microsoft reconhece o domínio da Apple e do Google sobre os smartphones. Se hoje ela oferece o Xbox Game Pass, uma espécie de Netflix dos games, é porque admite que errou feio ao restringir o empréstimo e a revenda de games do console. Se hoje o navegador da Microsoft, que já foi a joia da coroa da empresa (e Bill Gates usou, em 1997, para garrotear a Apple), é baseado no Chromium -uma versão de código aberto do Google Chrome-, é porque a empresa percebeu que não valia a pena competir ali. Pragmatismo.  

    Esse é o tom evocado pelo Surface Duo, um smartphone de duas telas apresentado hoje pela empresa nos EUA. Ele tem duas telas de 5,6 polegadas, que podem ser desdobradas para transformar o aparelho num pequeno tablet, de 8,3″. O processador é um Snapdragon 855 – segundo a Microsoft, ele é suficiente para rodar até quatro apps ao mesmo tempo, dois em cada tela. Mas o principal é que, por baixo de uma interface gráfica desenvolvida pela Microsoft (veja no vídeo abaixo), o aparelho roda Android. 

    Ele ainda é um protótipo, sem mais detalhes nem preço definido, e com lançamento distante (foi prometido para o final de 2020). O hardware, ao menos em seu atual estágio, também não é a coisa mais incrível do mundo (porque usa duas telas separadas, com uma dobradiça no meio; não uma tela flexível, como o Galaxy Fold da Samsung). Mas a adoção do Android é um marco histórico. O titã dos sistemas operacionais, que fundamentalmente criou o mercado de PCs, adotando a plataforma de outra empresa. Em outros tempos, isso certamente seria visto como uma tática sinistra da Microsoft. Hoje, é apenas um gesto de humildade – e sensatez.

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