Clique e Assine a partir de R$ 9,90/mês
Bruno Garattoni Por Bruno Garattoni Vencedor de 13 prêmios de Jornalismo. Editor da SUPER.

Nem 50%, nem 100%. O número que realmente interessa, na Coronavac, é 78%. Entenda.

Por Bruno Garattoni Atualizado em 13 jan 2021, 15h06 - Publicado em 13 jan 2021, 14h32

Essa é a eficácia da vacina contra casos leves, moderados e graves de Covid-19. O número mais baixo, e o mais alto, não importam tanto. Veja por que.

Na semana passada, o Instituto Butantan anunciou que a Coronavac havia demonstrado 78% de eficácia contra casos moderados de Covid-19, e 100% contra casos graves. Ontem, dia 12, divulgou que a eficácia geral da vacina, considerando também os casos leves e muito leves, foi de 50,3%. Essa sequência de informações e números diferentes gerou confusão e está alimentando polêmicas. Mas, na prática, a coisa é muito mais simples do que parece: o único número que realmente importa, para você, é o de 78%. 

gráfico da vacina
Instituto Butantan/Reprodução

Os testes da vacina adotam uma escala de seis níveis (veja imagem acima). Vamos começar pela eficácia de 100%, contra casos graves. Ela significa que, entre as 4.653 pessoas vacinadas (dentro de um grupo de 9.242 voluntários), não houve nenhum caso nível 6, grave, que foi parar na UTI. Ocorre que nenhuma vacina tem 100% de eficácia. Fica evidente que esse resultado é fruto do acaso – e que se fosse estudado um grupo maior, e/ou por mais tempo, apareceriam alguns casos nível 6. Por isso, o próprio Butantan considera que o dado de 100% não é “estatisticamente significante”. O que ele indica é que a Coronavac é muito eficaz contra casos graves – o estudo só incluiu profissionais de saúde, que tendem a ficar bastante expostos ao Sars-CoV-2 no dia a dia.

 

gráfico da vacina
Instituto Butantan/Reprodução
Continua após a publicidade

Vamos para o próximo número: 78% (a rigor, 77,96%) de eficácia. Como você pode ver no gráfico acima, ele se refere à redução de casos dos níveis 3, 4, 5 e 6: inclui desde quadros leves, em que a pessoa só recebeu atendimento ambulatorial, até casos moderados e graves, em que houve internação pela Covid-19. Em todos eles, a eficácia da Coronavac foi de 78% (note que esse dado engloba o nível 6 – e, portanto, 78% é a eficácia mínima da vacina contra casos graves). Se você pegar coronavírus, esses são os quadros que você não quer ter. E a Coronavac oferece 78% de proteção contra eles.

 

gráfico da vacina
Instituto Butantan/Reprodução

Agora, vejamos o último dado: 50,38% de eficácia. Ele inclui os casos dos níveis 2, 3, 4, 5 e 6. E é aí que está o pulo do gato: os casos do nível 2, “muito leve”, são irrelevantes em termos de sintomas. Se você pegar coronavírus e desenvolver um caso muito leve, tudo bem: a sua saúde não estará em risco. Logo, esse número de 50% não é importante do ponto de vista individual – o que conta mesmo é a eficácia da vacina contra Covid-19 moderada e grave (78%). 

A eficácia geral de 50% é relevante do ponto de vista epidemiológico, pois significa que seria necessário vacinar muita gente para erradicar o Sars-CoV-2. Um cenário de imunidade de rebanho, em que o vírus tem dificuldade em encontrar novos hospedeiros e vai desaparecendo da sociedade, exige que pelo menos 60% das pessoas estejam imunes. Para chegar lá usando uma vacina com eficácia de 50%, você teria de aplicá-la na população inteira, o que seria bem difícil. A conta não é exatamente essa, pois há outros fatores envolvidos (ainda não se sabe como e se as vacinas afetam a transmissibilidade do vírus), mas a conclusão é óbvia: não é realista querer varrer o Sars-CoV-2 da face da Terra, como a humanidade fez em 1980 com o vírus da varíola.  

Só que o objetivo não é esse. A OMS e a maior parte da comunidade científica acreditam que o Sars-CoV-2 irá se tornar endêmico, ou seja, continuará circulando pelo mundo. É o que acontece com outros coronavírus, como o 229E e o OC43, que são conhecidos há décadas e só causam resfriados leves. Essa é a meta: fazer com que o Sars-CoV-2 se transforme em algo quase inofensivo. E a Coronavac, ao oferecer alta proteção contra casos médios e graves, e também uma ótima redução dos casos leves, funciona para isso. 

A proteção oferecida pelas vacinas, todas elas, não é um botão de liga-desliga, como um interruptor de luz; está mais para um controle de volume. Ao se vacinar, você reduz drasticamente o seu risco de ter Covid-19. E, se mesmo assim for infectado pelo novo coronavírus, terá bem menos chance de desenvolver um quadro grave – os sintomas poderão se limitar a um resfriado banal. Não o “resfriadinho” delirante, sem a menor base, que alguns mencionam por aí. 

Continua após a publicidade

Publicidade

Essa é uma matéria exclusiva para assinantes. Se já é assinante, entre aqui. Assine para ter acesso a esse e outros conteúdos de jornalismo de qualidade.

Essa é uma matéria fechada para assinantes e não identificamos permissão de acesso na sua conta. Para tentar entrar com outro usuário, clique aqui ou adquira uma assinatura na oferta abaixo

Transforme sua curiosidade em conhecimento. Assine a Super e continue lendo

Impressa + Digital

Plano completo da Super. Acesso aos conteúdos exclusivos em todos formatos: revista impressa, site com notícias e revista no app.

Acesso ilimitado ao Site da SUPER, com conteúdos exclusivos e atualizados diariamente.

Receba mensalmente a SUPER impressa mais acesso imediato às edições digitais no App SUPER, para celular e tablet.

a partir de R$ 12,90/mês

MELHOR
OFERTA

Digital

Plano ilimitado para você que gosta de acompanhar diariamente os conteúdos exclusivos no site e ter acesso a edição digital no app.

App SUPER para celular e tablet, atualizado mensalmente.

a partir de R$ 9,90/mês

ou

30% de desconto

1 ano por R$ 82,80
(cada mês sai por R$ 6,90)