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Como as Pessoas Funcionam

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Estudos científicos e reflexões filosóficas para ajudar você a entender um pouco melhor os outros e a si mesmo. Por Ana Prado

Quer escrever melhor? Leia textos complexos

Por Ana Prado Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 16 ago 2017, 18h32 | Atualizado em 4 set 2024, 15h11

O que você prefere ler no seu tempo livre: listas engraçadinhas na internet ou textos filosóficos? De acordo com um estudo recente da Universidade da Flórida (UF), essa escolha pode influenciar a forma como você se expressa por escrito.

Os autores Yellowlees Douglas e Samantha Miller chegaram a essa conclusão ao analisar os hábitos de leitura e a escrita de alunos de MBA da universidade. Para ser aceito no curso de pós-graduação, todo candidato precisa escrever uma carta de apresentação – e esse foi um dos materiais escolhidos para a análise.

“[Para avaliar a escrita dos estudantes,] nós escolhemos sempre o segundo parágrafo de sua carta de apresentação, pois isso garantiu que estivessem escrevendo para audiências semelhantes e com os mesmos objetivos”, explicou Douglas ao site da UF.

Os parágrafos passaram por ferramentas que avaliaram a sua complexidade sintática e estrutura lexical. O mesmo foi feito com alguns dos textos que os estudantes disseram ter lido.

Resultado: aqueles que leram exclusivamente conteúdos online mais leves, como BuzzFeed, posts no Tumblr ou o Huffington Post, tiveram as pontuações mais baixas em complexidade de escrita, incluindo comprimento de frases e sofisticação na escolha de palavras.

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Os que tiveram a maior pontuação foram os leitores de artigos de revistas acadêmicas ou livros de ficção aclamados pela crítica.

Segundo os autores, pode ser que isso aconteça devido a um efeito parecido com o que ocorre na comunicação oral: nós costumamos imitar aquilo que ouvimos ao nosso redor. Quem convive com pessoas que falam muito palavrão tende a usar mais essa linguagem, por exemplo. Da mesma forma, quem está em contato com um vocabulário e construções frasais mais complexos tende a usá-los em suas próprias composições.

Outra explicação é a de que o estudo talvez tenha detectado um fenômeno de disponibilidade linguística, em que as pessoas usam elementos captados em suas leituras para usar como base para a sua escrita.

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De qualquer forma, a dica é selecionar bem suas leituras: “Tente ler algo bem escrito para ficar por dentro das notícias”, diz Douglas, que indicou veículos como The Economist e The New Yorker.

O estudo foi publicado no International Journal of Business Administration e pode ser visto na íntegra aqui.

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