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10 motivos para ter um encontro com Orange is the new black no Dia dos Namorados

Por Redação Super Atualizado em 21 dez 2016, 08h49 - Publicado em 12 jun 2015, 18h43

Por Priscila Bellini

Nem todo mundo vai passar o Dia dos Namorados acompanhado. Mas a falta de companhia pode ter várias vantagens. As melhores são o orçamento intacto (afinal, nada de presentes) e a possibilidade de se afundar no sofá e fazer uma maratona de Orange Is The New Black. A série, que está em sua 3ª temporada, volta com tudo para o Netflix. Além da boa trama, os novos episódios tocam fundo em temas delicados. Aliás, mesmo se você já tiver companhia para a noite do dia 12 (ou de qualquer outro dia do ano), pode ser uma boa acompanhar a série. Veja por quê.

 

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1. Diversidade

Talvez seja essa a palavra-chave para definir OITNB, desde sua estreia. Apesar de ter como protagonista uma mulher branca, Piper Chapman (que foi inspirada na história de Piper Kerman, inicialmente publicada em um romance), a trama abarca os mais diversos perfis de mulheres: negras, latinas, idosas, trans, descendentes de orientais, lésbicas, bissexuais… E a história de cada uma é retratada com a complexidade devida. Parece simples? Não é. Abandonar os grandes clichês parece um desafio para a maioria das produtoras, que insistem nas velhas fórmulas e nos estereótipos.

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E, aliás, elas tiram selfies ótimas (Fonte: Instagram @oitnb)

 

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2. Representatividade trans

Quando precisam arrumar uma atriz para interpretar personagem é negra, que tipo de artista os produtores escalam? A resposta parece óbvia: uma mulher negra. Agora, quando a intenção é trazer personagens trans para a trama, é bem comum tropeçarem na hora de decidir quem fará o papel. É como se, para fazer essa escolha, o caminho mais certeiro fosse eleger um homem para o papel, como aconteceu na série Transparent ou no filme Clube de Compras Dallas. O resultado? Além de não haver muitas personagens transexuais e travestis por aí, os poucos são interpretados por atores cisgênero. Até Laverne Cox estrear em OINTB e ir parar na capa da revista TIME. Desde então, a transexualidade passou a ser um pouco mais importante para Hollywood.

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(Fonte: TIME)

 

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3. Vamos falar sobre mulheres?

A representação da ala feminina nos quadrinhos, filmes, livros e afins deixa bastante a desejar. (Até mesmo quando falamos desuper-heroínas). Não é raro que as personagens femininas sirvam apenas de apoio para que os marmanjos desenvolvam sua trama e ganhem os holofotes. A sacada de OITNB é mostrar um ambiente em que as personagens femininas dominam. Obviamente, o fato de a série se passar numa penitenciária feminina ajuda muito. Os temas também envolvem partes do, digamos assim, universo feminino. Em um dos episódios, Sophia explica às detentas a anatomia de uma vagina.

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4. Chega de “bandido bom é bandido morto”

A série conta detalhes sobre a história das detentas e constrói aos poucos o vínculo com os espectadores. E isso não é pouco, não, se a gente pensar nos clichês que inundam filmes e séries e que mostram sujeitos malvados que cometeram crimes e são punidos. Justamente por essa abordagem, traz uma visão diferente de personagens que, se parassem nas páginas do jornal, seriam reduzidas ao estereótipo. Como destacou Natasha Lyonne, que interpreta a Nicky Nichols, em entrevista à SUPER, essa capacidade de deixar as pessoas mais envolvidas com as personagens é de grande ajuda. “Isso ajuda a abrir a mente das pessoas e a humanizar essas questões”, resume Natasha. Afinal, se você conhece o passado dessa personagem e se encanta por sua personalidade, fica mais fácil entender que o mundo não é dividido entre malvados e mocinhos

 

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5. Sistema prisional

A discussão ganha ainda mais força na 3ª temporada, que foi liberada ontem pelo Netflix. Ao mostrar os bastidores de Litchfield, Orange is the New Black mostra o que acontece também nos postos de comando e nos funcionários do lugar. Condições de trabalho que só pioram, abusos de todo tipo… “É um ambiente muito específico em que essas mulheres estão inseridas, e saber mais sobre a corrupção e sobre a justiça por lá também é socialmente relevante”, disse Natasha Lyonne.

São 200 mil mulheres que estão atrás das grades apenas nos Estados Unidos, um número que cresceu em 637% entre 1980 a 2011. Dessas moças, 65% são mães de jovens de até 18 anos — e pouca gente se preocupa com o impacto disso para a comunidade em que elas vivem. Aliás, se você quer saber mais sobre o encarceramento de mulheres na terra do Tio Sam, pode ler mais na Families for Justice as Healing, organização que pretende conscientizar o público sobre o assunto.

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6. E os distúrbios psicológicos?

Talvez você tenha reparado no comportamento da Suzanne (ou “Crazy Eyes”), interpretada por Uzo Aduba, ou de Morello, vivida por Yael Stone, e se perguntado se elas deveriam mesmo estar numa prisão. Apesar de poucas personagens darem pistas de distúrbios psicológicos ou neurológicos, essa realidade é encarada por muitas das detentas reais. Segundo o Bureau of Justice Statistics, entidade do governo americano responsável por coletar e divulgar informações sobre todo o sistema de justiça do país, a parcela de moças que apresentava sintomas de distúrbios chega a 73%, nos Estados Unidos, bem acima da taxa dos homens — e uma parte considerável delas também já sofria com traumas de abuso sexual (seja na infância ou na vida adulta). Em outras palavras, são pessoas que não deveriam ficar trancadas em uma prisão sem assistência, mas sim acompanhadas e apoiadas por médicos. Com a deixa da série, seria uma boa falar mais sobre o assunto, não?

 

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7. Precisamos falar sobre racismo

E, claro, as minas da série não deixam o assunto passar — tanto nos episódios quanto na vida real. Quando o movimento #BlackLivesMatter ganhou força em solo americano, depois de casos de abuso policial contra a população negra chegarem a extremos, como ocorreu em Ferguson, milhões tomaram as ruas de Nova York para protestar. Para dar apoio à marcha, as estrelas do programa se juntaram aos manifestantes.

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Foto: Instagram @vickyjeudy

 

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8. Vem mais por aí

As discussões não param aí e se estendem a temas como solidão enfrentada pelas mulheres na prisão, precarização dos presídios… A lista é longa e nós esperamos que fique maior ainda. Quando perguntamos às atrizes que vieram ao Brasil para divulgar a nova temporada, elas confirmaram o que a gente já suspeitava. “Muitos dos assuntos que eu desejava que aparecessem na série já apareceram. A Jenji [Kohan] conseguiu trazer temas muito importantes, como maternidade e aborto”, confessa Uzo Aduba, que encarna Crazy Eyes nas telas. Resta saber quais assuntos vão pautar os próximos episódios.

 

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