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Por que alguns países usam artigo masculino, outros feminino e alguns não têm gênero (como Portugal)?

Os neutros são poucos. Entenda a origem dessa classificação.

Por Bruno Carbinatto 21 nov 2024, 10h00 | Atualizado em 4 jun 2026, 15h58
Por que alguns países usam artigo masculino, outros feminino e alguns não têm gênero (como Portugal)? Priorizar nos meus resultados Google

Não há uma regra ou explicação específica. De modo geral, países que terminam com “a” sem acento costumam ser tratados no feminino: a Alemanha, a Inglaterra, a Argentina, a Croácia… Mas há exceções, como o Sri Lanka e o Quênia. 

A maior parte do restante – incluindo terminados em “a” acentuado – são masculinos: o Brasil, o Congo, o Canadá, o Vietnã, o Timor-Leste… Já os neutros são poucos: Portugal, Madagascar, Israel, Angola, Cuba e Marrocos, por exemplo. 

Por que? Bem, é arbitrário – e não só com países ou cidades, diga-se. Não há nada que indique que “parede” é algo femino e “abajur” é algo másculo, mas convencionou-se assim. A arte de atribuir gênero a todos substantivos é fruto de uma evolução curiosa das línguas. No protoindo-europeu – uma língua hipotética que existiu há milênio e deu origem às línguas latinas, germânicas, eslavas e ao grego – só havia dois gêneros: inanimado, para coisas, objetos e elementos da natureza, e animado, para humanos e animais. Faz todo o sentido.

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Com o tempo, porém, as coisas foram se complicando. O gênero animado passou a ser associado com o masculino, enquanto o inanimado se tornou neutro. O feminino surgiu depois, ligado a palavras usadas para se referir a plurais ou coletividades. Mais tarde, no latim, os três gêneros persistiram: masculino, feminino e neutro.

No português, porém, o neutro foi absorvido pelos outros dois, principalmente pelo masculino. É possível que os países que não são acompanhados por artigo hoje sejam um resquício do gênero neutro, ainda que para serem caracterizados, os adjetivos concordam com um dos sexos (“Madagascar é lindo”).

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Isso não ocorreu só no português. E prova da arbitrariedade do processo é que línguas distintas discordam sobre o gênero de países. Em francês, por exemplo, Portugal é menino; em russo, menina; no português, nenhum dos dois.

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Pergunta de @fernanda1sa, via Instagram.

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