E o designer? Faz o que hein?
Ser designer parece uma profissão bacana e cheia de coisas legais. E é mesmo! Transitamos por temas e informações variados quebrando ressacas e o tédio de muita coisa que pareceria burocrática à primeira vista. Ainda temos o mérito de sempre aprender muito a cada trabalho executado ou pesquisado. E aqui na Super tudo isto é fascinante. Tanto pelo resultado, quanto pelo entrosamento da equipe em alguns assuntos (veja o próximo “E se”). Como já tem um tempinho que o dagaveta está no ar, percebi o interesse dos leitores sobre os bastidores da revista. Então resolvi contar como fazemos e principalmente o que fazemos.
Sendo responsável pelo design de uma matéria, prefiro me colocar no lugar do leitor e ver se aquilo que vou criar vai me interessar ao folhear a revista: vou parar naquela página ou não? Com isto na cabeça, busco conceitos comuns e legíveis. Busco um ponto de conforto para o resultado final. Sabe quando você está lendo uma revista e parece que há tanto ruído (ou será barulho?) que você se sente em época de natal numa rodoviária do tietê? Não absorve a informação e nem consegue ler em paz? Pois é… Meu papel é fazer com que você se sinta bem confortável e aquecido.
Uma matéria legal sempre é mais legal quando todo mundo opina. Quando sentamos e sei lá de que jeito vão saindo ideias. No início soam meio esquisitas, mas tempo depois tudo começa a se arredondar (quanto mais gente falando, mais rápida e original a ideia será). E na maioria das vezes, saímos com um conceito bom antes de começar de fato a criar uma página.
No design editorial: não escrevemos, não fotografamos, não ilustramos, não tratamos foto, não imprimimos e nem grampeamos a revista. Assim fica difícil explicar para a minha avó o que é que eu faço. Mas vamos lá, vou tentar ser claro: sobra pra gente o que chamo de invisível, mas imprescindível para a qualidade e personalidade de qualquer publicação. A intenção sempre vai ser apresentar o conteúdo do melhor jeito possível. Primeiro dando valor total à informação que o leitor receberá de forma clara e objetiva. Tudo amarradinho em um conceito que caiba no projeto gráfico e editorial da revista. Escolhemos, aumentamos, destruímos, recortamos, quebramos, rabiscamos, conversamos, colorimos, buscamos referências por todos os lados. E falamos bastante por email e telefone.
Na prática: somos as linhas que ajustam e encaixam as letrinhas de um texto, deixando-as confortáveis e bonitas. Somos também responsáveis por hierarquizar as informações de uma página. Temos de ser bons ouvintes e espertos para filtrar e sugerir o que é importante e o que pode ficar de fora na hora de editar um conteúdo. Somos organizadores de “espaço-branco” para que você não se irrite ou se canse. E junto com os repórteres, editores, ilustradores, fotógrafos, colaboradores, revisores e diretores contribuímos para a personalidade da revista que você lê.
Muitas vezes somos também responsáveis por aquilo que você não está acostumado e que acaba não gostando. Nestes casos a intenção é despertar um sentimento comum ao tema, já que estamos por exemplo: falando de algo polêmico. E o legal é isto, descobrir e saber como explorar a linha que separa o certo do errado, sem sair do lugar agradável que o leitor geralmente está acostumado.
Grande abraço,
Jorge Oliveira, @jorgeolv
Designer da Super