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Uma nova arma contra o câncer: bactérias magnéticas

Parece maluquice, mas pode ser o fim da tortura da quimioterapia O nome faz parecer um Frankenstein de laboratório, mas a bactéria magnética é 100% natural. Elas têm nanocristais metálicos que as permitem se orientar pelo campo magnético da Terra. A Magnetococcus marinus é uma dessas espécies. E ela não apenas tem uma bússola, mas conta com um segundo sistema […]

Por Fabio Marton Atualizado em 21 dez 2016, 08h50 - Publicado em 23 set 2016, 21h55

Parece maluquice, mas pode ser o fim da tortura da quimioterapia

Bahaa_Aladdin | iStock
Bahaa_Aladdin | iStock


O nome faz parecer um Frankenstein de laboratório, mas a bactéria magnética é 100% natural. Elas têm nanocristais metálicos que as permitem se orientar pelo campo magnético da Terra. A Magnetococcus marinus é uma dessas espécies. E ela não apenas tem uma bússola, mas conta com um segundo sistema de navegação, procurando por áreas com menos oxigênio no fundo do mar, onde vive.

Cientistas patrocinados pelo National Institute of Biomedical Imaging and Bioengineering (Instituto Nacional de Bioengenharia e Imagens Médicas, EUA) notaram que essas duas características seriam ideais para dar um emprego insólito ao Magnetococcus. Ele pode servir como um veículo para levar remédios quimioterápicos a células cancerosas específicas.

Basta indicar o local do tumor com um feixe eletromagnético – como o de uma máquina de tomografia – e então a bactéria chega lá. Quando o feixe é desligado, ela usa seu segundo sistema de navegação para se esgueirar para a parte mais interna, onde há menos oxigênio. Antes de serem injetadas, essas bactérias são carregadas com produtos quimioterápicos e, ao serem destruídas, liberam-nos no tumor. Em testes com ratos, os cientistas já conseguiram fazer tudo isso – ainda falta testar o quão eficiente o tratamento realmente é.

Estamos falando em um novo meio de levar remédios, não de novos remédios. Mas há uma enorme razão para ficar excitado com a notícia. Quimioterapia existe desde 1942 e é um jeito eficiente de tratar câncer, ainda que o sucesso varie conforme o tipo. O problema são os efeitos colaterais. O que um remédio quimioterápico faz é impedir a divisão (ou reprodução) das células – porque o câncer basicamente é uma reprodução descontrolada de células. Com os remédios quimioterápicos, o câncer para de crescer ou diminui. O problema é que as outras células do corpo também são afetadas. Como o corpo se renova o tempo todo por reprodução celular, o resultado é pesadíssimo, semelhante ao de ser afetado por uma dose letal de radiação.

A ideia, assim, é mandar os agentes quimioterápicos só para o câncer. A equipe tentou antes uma estratégia mais hi-tech, com nanorrobôs, mas só conseguiram fazer com que 2% deles penetrassem o tumor – o resto era expelido pelos rins.

“Esta prova de conceito demonstra o potencial de explorar o maquinário intrincado e otimizado de organismos unicelulares como bactérias”, afirma Richard Conroy, do Instituto. “A habilidade de ativar e precisamente direcionar a entrega de drogas a um tumor irá ajudar a diminuir os efeitos colaterais e potencialmente a melhorar a eficácia dos tratamentos.”

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