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Dica TdF – Os Miseráveis

Por turma-do-fundao 29 jul 2013, 15h51 | Atualizado em 20 ago 2024, 11h13

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Já está nas lojas, em DVD e Blu-ray, o filme Os Miseráveis, de Tom Hooper, que saiu na telona em 2012. Baseado no romance homônimo de Victor Hugo, a obra é uma crítica aos rumos da França pós-revolucionária, fundamentada nas frustrações do autor quanto às injustiças sociais que apenas se acentuavam no país. Mas, por se tratar de um livro do período Romântico, Os Miseráveis explora os sentimentos e conflitos psicológicos dos personagens, arrebatados a todo momento por paixões estonteantes.

Um pouco de contexto: o começo do século 19 parecia muito promissor aos franceses. No final do século anterior, o movimento popular conhecido como Revolução Francesa tomou as ruas de Paris, depôs e executou o rei e pôs fim ao absolutismo monárquico que oprimia grande parte da população, hasteando uma bandeira que anunciava tempos de prosperidade e liberdade. A euforia apenas aumentou quando, dez anos depois, o jovem general Napoleão Bonaparte, nascido nas camadas plebeias da população, assumiu o comando do país e colocou de joelhos os países europeus, absolutistas e avessos aos ideais de igualdade, fraternidade e liberdade.

Mas a realidade retratada em Os Miseráveis difere muito do otimismo descrito no trecho anterior. A justiça, representada por uma mulher cega com uma balança nas mãos, parece não medir corretamente os atos de Jean Valjean (Hugh Jackman), condenado a 19 anos de trabalhos forçados apenas por roubar um pedaço de pão. Seu martírio é acompanhado de perto pelo carcereiro Javert (Russel Crowe), que dele não sente piedade. Ao contrário, vê a punição do prisioneiro 24601 (o número pelo qual Valjean é tratado) como a confirmação da eficiência da lei. Mesmo tendo liberdade condicional decretada, Valjean não consegue se reintegrar à sociedade, pois a sina do “crime” que cometeu paira sobre ele. Num ato de desespero, o ex-cativo rouba a prataria de um bispo que o acolhe durante uma noite. Para sua surpresa, o religioso não o denuncia, e ainda o presenteia com mais peças de valor, sob a promessa de que estas serão usadas para o bem.

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Os anos se passam. Jean Valjean, sob uma nova identidade, enriquece e se torna um homem eminente na sociedade. Uma confusão de sua parte, porém, acaba por deixar sem emprego a operária Fantine (Anne Hathaway), que, para sustentar a filha Cosette (Amanda Seyfried), se vê obrigada a recorrer à prostituição, situação que a deixa à beira da morte. Ao saber das consequências de seu ato, Valjean se oferece para criar a menina, ao mesmo tempo em que um inesperado encontro com Javert pode colocar todo seu progresso na vida a perder…

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O diretor soube explorar o turbilhão de emoções intrínseco ao período, traduzindo-o em canções que fariam o mais duro dos marmanjos deixar escapar uma lágrima. O carro-chefe do musical, muito explorado nos trailers, é a atuação de Anne Hathaway, que, embora curta (não mais que quinze minutos), traz a interpretação brilhante de I Dreamed a Dream, cena que lhe rendeu o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante.

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Jackman também surpreendeu, interpretando um Valjean bastante transtornado, enquanto Crowe ficou um pouco abaixo, com uma atuação digna não pela música, mas pela firmeza com que interpreta Javert. O papel de Cosette para Seyfried, tipicamente romântico, não permitiu maior destaque, assim como ao seu par, o revolucionário Marius (Eddie Redmayne), enquanto a terceira peça desse triângulo amoroso, Eponine (a estreante Samantha Barks), se mostrou bastante expressiva, apesar da curta participação.

Destacam-se as atuações caricatas de Helena Bonham Carter e Sacha Baron Cohen como o casal de taverneiros pilantras, bem como a dos atores mirins Isabelle Allen (a criança Cosette) e Daniel Huttlestone (Gavroche, o pequeno revolucionário). Na emocionante cena do enterro do General, na qual o povo conspirador canta em uníssono Do you hear the people sing?, merece destaque também o ímpeto exprimido pelo ator Aaron Tveit, o líder da revolta.

Apesar de ser baseado em uma obra de quase duas mil páginas e de ser cerca de 85% cantado, Os Miseráveis impressiona pela fluidez. A criação visual, como é típico dos musicais, constitui um dos carros-fortes da produção, destacando-se as reconstruções de ruas de Paris, o uso de grande quantidade de figurantes, o figurino de época e a maquiagem expressiva, responsável pelo Oscar de Melhor Maquiagem e Cabelo.

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Pode-se dizer, com uma boa certeza, que Os Miseráveis reunia todas as qualidades para ganhar o Oscar de Melhor Filme. Só não ganhou porque, na minha opinião, o Oscar 2013 foi um dos mais fortes de todos os tempos (o vencedor foi Argo, de Ben Affleck). Se você ainda não viu, corra para comprar seu DVD: será uma das experiências únicas em sua vida.

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