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6 motivos pelos quais mulheres sofrem muito mais nas prisões

As penitenciárias, que, supostamente deveriam estar preparadas para receber mulheres, se mostram cada vez mais distantes da realidade feminina. Entenda aqui por que.

Por Ana Luísa Fernandes Atualizado em 4 nov 2016, 19h00 - Publicado em 16 out 2015, 19h30

A quantidade de homens na cadeia cresceu nos últimos anos – aproximadamente 70%. Já a feminina, aumentou mais que o dobro: 146%. Mesmo assim, as prisões continuam sem estrutura para recebê-las. Entenda os motivos que fazem essa jornada ser duplamente degradante: por estarem presas e por serem mulheres.

1- Higiene
Elas recebem apenas dois rolos de papel higiênico por mês, o que pode até servir para homens, que usam o papel apenas para uma necessidade. Para mulheres, que precisam de papel toda vez que vão ao banheiro, a quantia é extremamente limitada – o que faz com que elas usem restos de jornais como improviso. Os absorventes também são um problema. Muitas usam miolo de pão velho como uma espécie de tampão para absorver o fluxo menstrual.

2- Maternidade
Hoje, existem 1.925 bebês e crianças que vivem com suas mães nas prisões do Brasil. Os presídios femininos não têm estrutura nenhuma para garantir um ambiente minimamente seguro para grávidas e seus filhos. Dormir no chão é o de menos: elas relatam também episódios de agressão que sofrem dos policias quando estão grávidas e até mesmo com o bebê no colo.

3- Visitas íntimas
O direito à visita íntima só foi concedido no começo dos anos 2000. Para as mulheres. Os homens possuem essa liberdade há quase 30 anos. Por que, hein? A conquista, infelizmente, não é plenamente usufruída, já que apenas 2% das detentas recebem visitas regulares de seus companheiros. O que leva ao próximo ponto:

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4- Abandono
Mulheres presas são frequentemente abandonadas pelos companheiros, o que geralmente não acontece com os homens. Isso acontece principalmente porque é mais difícil para a sociedade aceitar uma mulher transgressora que um homem transgressor, como mostra esta matéria. Depressão e pensamentos suicidas são frequentes.

5- Faltam unidades de internação femininas
As jovens infratoras relatam abandono por parte dos familiares porque só existem unidades de internação femininas nas capitais. Para quem é do interior, os altos custos e a distância aumentam ainda mais a barreira existente entre essas meninas e o mundo, e boa parte delas passa meses e meses sem receber visitas.

6- Estupro carcerário
As detentas ficam em estado de extrema vulnerabilidade, o que as torna alvos fáceis para estupros. Os outros presidiários e os próprios agentes carcerários se aproveitam dessa situação para cometer o crime, que é, na maioria das vezes, acobertado. Presas, ignoradas e oprimidas, elas perdem o poder de voz. A situação á ainda pior pela falta de mulheres que trabalham nas penitenciárias.

Fonte: Presos Que Menstruam, livro de Nana Queiros

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