A vitória da turma do pijama
A maioria dos funcionários adora trabalhar em casa. Ótimo! Porque as empresas descobriram que isso também é excelente pra elas
Texto Jeanne Callegari
Já faz alguns anos que trabalhar de casa, usando pantufas e podendo fazer uma pausa para ver o último episódio de House, vem sendo anunciado como o futuro do trabalho. Finalmente, chegou a hora da turma do pijama: com a preocupação com o ambiente aumentando e as tecnologias que possibilitam o trabalho remoto, como a banda larga, se tornando cada vez mais baratas, trabalhar de casa está virando prática corriqueira. Levantamento da associação WorldatWork, voltada para o equilíbrio entre vida e carreira, mostra que, no ano passado, 33,7 milhões de americanos trabalharam de casa ou de outro lugar remoto ao menos uma vez por mês, um aumento de 43% em relação a 2003.
Para as empresas, a prática é lucrativa. A companhia americana de planos de saúde Scan Health obteve um retorno de 40% nos investimentos que fez, ao permitir que 15% dos funcionários trabalhassem de casa 2 a 4 dias por semana. Na Cisco, os ganhos foram de mais de US$ 270 milhões por ano. O lucro vem do gasto menor (e mais inteligente) com infraestrutura e da maior produtividade: um funcionário em home office rende até 20% mais do que o do escritório.
A principal razão para esse ganho é que a maioria das pessoas gosta de trabalhar em casa. Para quem tem filhos, é uma oportunidade de ficar com as crianças um pouco mais de tempo. O teletrabalho reduz o estresse e eleva o moral dos funcionários, segundo levantamento da Universidade Pensylvannia State, que fez uma revisão de 46 estudos sobre o tema. Na Cisco, 91% dos funcionários que trabalham de casa estão satisfeitos com o arranjo, o que é uma ferramenta poderosa na hora de reter talentos. Principalmente as mulheres e os jovens, que querem flexibilidade e equilíbrio entre vida pessoal e carreira.
Além de lucrativo e menos estressante, o teletrabalho é sustentável: ajuda a economizar combustível na ida para o trabalho e a diminuir o trânsito nas grandes cidades. Com tantas vantagens, não é à toa que escrever relatórios de pantufas vai se tornar cada vez mais comum.
O que vale é o resultado
Para permitir que as pessoas trabalhem fora do escritório, é essencial mudar a maneira como se avalia o trabalho. Em vez de horas trabalhadas, passa-se a medir a produção. É o ROWE (de results-only-work-environment, ou “ambiente de trabalho focado em resultados”). O nome foi dado por Cali Ressler e Jody Thompson, duas funcionárias de RH que, em 2003, mudaram a forma de trabalhar da empresa americana Best Buy. Os funcionários da rede estavam estressados, e a produtividade vinha caindo. A solução foi radical: em vez de julgar o tempo que as pessoas passavam no escritório, passaram a focar os resultados. Na empresa,dá pra passar a tarde no cinema, desde que o trabalho seja entregue. A estratégia aumentou a produtividade em 41% e diminuiu a rotatividade de funcionários em 90%.
SÓ TOME CUIDADO COM O PIJAMA DE URSINHO: O SEU COLEGA PODE PEDIR UMA VIDEOCHAMADA com skype OU msn A QUALQUER HORA.






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