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As Flores do Mal

Por Da Redação Atualizado em 31 out 2016, 18h53 - Publicado em 31 jul 2005, 22h00

Charles Baudelaire

NOME ORIGINAL_Les Fleurs du Mal (França)
EDIÇÃO NO BRASIL_ Nova Fronteira; 1985

 


DO QUE TRATA

Reunião de poemas originalmente divididos em 5 seções. Após sua publicação, Baudelaire foi processado por atentado à moral pública e 6 dos poemas foram censurados.

QUEM ESCREVEU

Baudelaire (1821-1867) perdeu o pai aos 6 anos e nunca perdoou a mãe por se casar novamente, com um tenente-coronel do exército. Em 1841 é enviado à Índia pelo padrasto. Mas abandona o barco e volta a Paris para se dedicar à literatura. Herda a fortuna paterna e passa a desfrutar uma vi da de luxo. Após uma temporada na Bélgica, volta a Paris, onde morre nos braços da mãe.

POR QUE MUDOU A HUMANIDADE

Poeta das sensações, do satanismo, da sensualidade e sinestesia (a mistura dos sentidos, por exemplo, a cor de um perfume), Baudelaire escreveu durante a decadência do romantismo e a ascensão do realismo. Sua poesia percorreu um caminho singular, prenunciado os temas que dominariam o século 20. Segundo o crítico Erich Auerbach, ele criou a poesia moderna ao incorporar à literatura a realidade grotesca. O escritor André Breton (leia sobre ele na página 81) considerava Baudelaire o primeiro dos surrealistas.

 

Poema ao Leitor

“Se o veneno, a paixão, o estupro, a punhalada

Não bordaram ainda com desenhos finos

A trama vã de nossos míseros destinos,

É que nossa alma arriscou pouco ou quase nada.

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Em meio às hienas, às serpentes, aos chacais,

Aos símios, escorpiões, abutres e panteras,

Aos monstros ululantes e às viscosas feras,

No lodaçal de nossos vícios imortais,

Um há mais feio, mais iníquo, mais imundo!

Sem grandes gestos ou sequer lançar um grito,

Da Terra, por prazer, faria um só detrito

E num bocejo imenso engoliria o mundo;

É o Tédio! – O olhar esquivo à mínima emoção,

Com patíbulos sonha, ao cachimbo agarrado.

Tu conheces, leitor, o monstro delicado

– Hipócrita leitor, meu igual, meu irmão!”

(Tradução de Ivan Junqueira)

 

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