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As pernas mais longas da história

Arrecadação bilionária? Sim. Uma das maiores de todos os tempos? Não é bem assim. Conheça o verdadeiro lugar de Avatar na história do cinema

Texto: Salvador Nogueira

Avatar é, sem sombra de dúvida, um fenômeno de bilheteria. Mas não pelo fato de que, com menos de 20 dias de exibição, ele se tornou a 2a maior bilheteria da história. Afinal, se levarmos em conta a inflação (US$ 1 bilhão em 1997, quando Titanic estreou, valia muito mais que US$ 1 bilhão em 2010), o filme ainda não fica nem entre os 12 primeiros colocados. O que faz do desempenho do novo longa-metragem de James Cameron especial é mesmo sua im­­pressionante capacidade de perder pouca audiên­cia de semana a semana.

Um velho adágio dos filmes-pipoca é o de que, quanto maiores eles são (por isso, entenda-se, mais caros e chamativos), mais rapidamente eles caem. Pegue, por exemplo, Transformers 2, que foi o grande campeão da bilheteria americana de 2009 até a chegada de Avatar. No fim de semana de estreia, ele explodiu: rendeu US$ 109 milhões, só nos EUA. Em compensação, no 2o fim de semana, o faturamento foi de “apenas” US$ 42 milhões, uma queda de 61%!

Fugindo completamente a essa regra, Avatar recolheu, no fim de semana de estreia, US$ 77 milhões. Menos que Transformers 2? Pois é. Mas, na 2a semana, ele pegou outros US$ 75,6 milhões, queda de menos de 2%. E o esquema continuou pelas semanas seguintes. No 3o fim de semana, vieram mais US$ 68,5 milhões, 9,4% a menos que na estreia. E no 4o somaram-se mais US$ 50,3 milhões, representando apenas 26,6% a menos que na première!

Quando um filme rende bastante ao longo de várias semanas, diz-se que ele tem “pernas longas”. Mas ninguém tinha visto pernas tão longas quanto as de Avatar antes! O desempenho, até aqui, é até melhor que o de Titanic, filme anterior de Cameron que detém o recorde de bilheteria de todos os tempos e, se colocado na tabela reajustada pela inflação, fica numa invejável 6a posição.

Uma atenuante para a performance fenomenal é o fato de que a concorrência nos cinemas na época de lançamento de Avatar (fim de ano) é bem menor do que durante o verão no hemisfério norte, no meio do ano, quando é lançada a maioria dos blockbusters. Mas os analistas admitem que só isso, ou o preço mais alto dos ingressos para a exibição em 3D, não consegue explicar o fenômeno de bilheteria.

Se o filme continuar a perder público nas próximas semanas tão lentamente quanto no começo, tende a se colocar entre as maiores bilheterias da história, mesmo levando em conta a inflação. Bater Titanic, mesmo reajustado, não é carta fora do baralho.

Claro, ninguém sabe se isso realmente vai acontecer. Mas é fato que, mesmo só com o que conseguiu até agora, Avatar já fez história.

 

 

Topo do mundo
As maiores bilheterias, corrigidas pela inflação

1. E o vento levou (1939) – US$ 1,485 bilhão

2. Star Wars (1977) – US$ 1,309 bilhão

3. A Noviça Rebelde (1965) – US$ 1,046 bilhão

4. ET, o Extraterrestre (1982) – US$ 1,042 bilhão

5. Os Dez Mandamentos (1956) – US$ 962 milhões

6. Titanic (1997) – US$ 943 milhões

7. Tubarão (1975) – US$ 941 milhões

8. Doutor Jivago (1965) – US$ 912 milhões

9. O Exorcista (1973) – US$ 812 milhões

10. Branca de Neve (1937) – US$ 801 milhões

11. Os 101 Dálmatas (1961) – US$ 734 milhões

12. Star Wars: O império contra-ataca (1980) – US$ 721 milhões

Avatar (após 29 dias) – US$ 467 milhões