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Catedrais no jardim

A diversão de um monge beneditino se transforma em atração turística que atrai 60 000 pessoas por ano

Reproduzir, em miniatura, as construções religiosas mais bonitas do mundo. Essa foi a forma que Joseph Zoettl – um monge beneditino que passou quase a vida inteira dentro de um mosteiro – encontrou para se distrair nas horas de folga. Nos 56 anos que viveu na Abadia de São Bernardo, localizada na cidade americana de Cullman, no Alabama, o Irmão Joe, como era conhecido, fez 125 réplicas. Todas exatamente iguais às suas originais, sem deixar passar nenhum detalhe.

Para construí-las, ele utilizou peças que encontrava no meio de entulho, como telhas, canos, vidros, pedras e tijolos, além de cimento, que recebia como donativo. Hoje, as miniaturas se transformaram na principal atividade dos monges do mosteiro, que recebe a visita de 60 000 pessoas por ano.
Tudo começou em 1912, quando os diretores da Abadia de São Bernardo decidiram construir um colégio numa parte dos jardins do mosteiro. No local escolhido havia uma enorme pedra.

À medida que os monges começaram a quebrar a rocha, descobriram que ela era oca e escondia uma gruta. Os religiosos resolveram erguer o prédio em outro lugar, preservando o achado.

Com a sucata dos materiais de construção usados nas obras do colégio, o Irmão Joe decorou a pedra do jardim, batizada de Gruta da Ave Maria, com centenas de miniaturas. Estimulado pelo número cada vez maior de visitantes que queriam conhecer sua obra, acabou fazendo mais e mais imitações, que incluem diversos templos espalhados pelo mundo inteiro.

A lista é espantosa. Além das obras sacras – as mais admiradas – ele copiou o Templo de Jerusalém, a Arca de Noé, a Torre de Babel, os Jardins Suspensos da Babilônia, a Estátua da Liberdade, o Coliseu e os Aquedutos Romanos. Seu último trabalho foi uma miniatura da Basílica de Lourdes, na França, finalizada em 1958, quando o religioso estava com 80 anos de idade.
Marcelo Affini