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Compartilhar o pente transmite caspa

Caspa não é uma doença, muito menos contagiosa. Aqueles floquinhos brancos são tecidos mortos, incapazes de se multiplicar numa nova cabeça

Ahahahahaha… Quem disse que você vai “pegar” caspa se usar o pente de um “casposo”? Caspa não é uma doença, muito menos contagiosa. Ao usar o pente de uma pessoa que sofre desse problema, é bem provável que você leve para o seu cabelo alguns daqueles floquinhos esbranquiçados – na verdade, fragmentos de um couro cabeludo que está descamando. Acontece que esses floquinhos são tecidos mortos, incapazes de se multiplicar numa nova cabeça. Depois de um banho, você estará livre deles. “Isso significa que a caspa não é para quem quer”, brinca Ricardo Romiti, dermatologista do Hospital das Clínicas de São Paulo. “Ela é para quem pode.”

Caspa é o nome popular para dermatite seborreica, uma irritação da pele que ainda não foi 100% entendida, mas que provavelmente é provocada pela multiplicação acima do normal de certos fungos que existem naturalmente na cabeça de todo mundo – como o Ptyrosporum ovale. A pele fica avermelhada, resseca e começa a descamar. O quadro pode ser agravado, segundo Romiti, por fatores externos como frio, pouca lavagem dos cabelos e até estresse. “É mais ou menos como a gastrite: há pessoas que pioram em momentos de ansiedade.”

Quem tem caspa hoje pode não tê-la na semana que vem, caso a irritação de pele desapareça naturalmente. Sim, ela tem períodos de melhora e piora, atingindo homens e mulheres na mesma proporção. Estima-se que 50% dos brasileiros têm caspa pelo menos uma vez por ano. E nem sempre o problema se manifesta no couro cabeludo. Pode ocorrer também nas sobrancelhas, nos ouvidos e no nariz. “Existem muitos cremes e xampus à base de cortisona que controlam o problema rapidamente. Mas esses medicamentos têm efeitos colaterais no longo prazo”, afirma o dermatologista. “Eles podem dilatar os vasos sanguíneos e estimular o crescimento de pelos no rosto. Ou pior: a pele pode se acostumar e passar a exigir uma dose cada vez maior do remédio.”