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E se os palestinos tomassem o poder em Israel?

Se os palestinos tomassem o poder em Israel, o resultado seria uma pressão insuportável para que o governo israelense realizasse uma eleição presidencial e outras medidas urgentes.

Leandro Sarmatz

Numericamente superiores 6,3 milhões contra milhões de israelenses -, os palestinos finalmente conseguem o apoio da opinião pública mundial para a sua causa de retomar o território entregue a Israel pela ONU em 1948. O resultado é uma pressão insuportável para que o governo israelense realize uma eleição presidencial em que também os palestinos, inclusive os expatriados, tenham o direito de votar. Yasser Arafat, mesmo com balido por uma de suas inúmeras doenças, concorre e vence o pleito. Embora o novo governo não promova nenhuma intimidação contra os israelenses, fica claro que o mando de jogo mudou na Terra Santa. Antes de se dissolver, a obsoleta OLP lança uma campanha humanitária em convênio com a recém- fundada Associação Neo- Diasporista (AND), propondo um novo êxodo hebreu. A intenção é levantar fundos e apoio político para o retomo em massa dos judeus descendentes de europeus aos países em que viviam antes da Segunda Guerra.

Em poucos dias, os aeroportos de Varsóvia (Polônia), Vilna (Lituânia) e Moscou (Rússia) recebem enormes levas de antigos habitantes, junto com seus filhos e netos. Mas a alegria parece durar pouco. Bandos de skinheads com a careca cheia de vodca iniciam ações violentas contra os novos moradores. Escaldados pelo vasto prontuário de racismo na região, os recém-chegados cogitam nova mudança. Mesmo em Varsóvia, onde vivia uma das maiores populações judaicas antes da invasão nazista em 1939, as coisas não são fáceis: o ancestral anti-semitismo polonês inviabiliza a transferência. O novo destino passa a ser os Estados Unidos, que, mesmo pressionados pela influente comunidade judaica local, são obrigados a barrar a entrada da maioria dos imigrantes por absoluta falta de espaço – uma vez que todos os edifïcios altos foram demolidos em nome da segurança nacional. E aí que o Brasil entra na história.

Terra da tolerância e do sincretismo, da cordialidade e da manemolência, o país torna-se a paragem ideal também para o povo de Abraão e Moisés. O bairro paulistano de Higienópolis, que já concentra grande população judaica brasileira, vira a primeira opção para os mais abonados. No Rio, o Leme torna-se o ponto preferido para a maioria das famílias – que, inclusive, fundam no coração do bairro um novo vilarejo: Jerusaleme, terra sagrada do chopinho e do petisco kosher. Devidamente ambientados, os israelenses terminam por inaugurar no país uma nova organização política: o Movimento dos Sem Terra Santa (MSTS). Em pouco tempo, o novo êxodo hebreu é levado a cabo pelos palestinos. Uma frase, então, é elevada à condição de mote pelos judeus neo-brasileiros que contemplam do Arpoador o pôr-do-sol sobre o Morro Dois Irmãos, no Rio: “E pensar que a gente matava e morria por um pedaço de terra seca”.

Terra da cordialidade e do sincretismo, o Brasil torna-se a paragem ideal também para o povo de Abraão e Moisés