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Entre aliens e gorilas

Conheça a carreira de Sigourney Weaver, atriz muito prestigiada na década de 1980, mas que quase sumiu do mapa nos anos seguintes

Texto: Luiz Felipe do Vale Tavares

Avatar não merece todos os méritos exclusivamente por causa dos seus aspectos técnicos, pois, para os cinéfilos de plantão e os fãs de ficção científica, há mais coisas entre o céu e a terra. O filme representa também o retorno triunfal de uma grande atriz da história da sci-fi no cinema, Sigourney Weaver. Ela não somente volta ao gênero que a lançou ao estrelato como também ao merecido destaque em um papel de importância num longa com grande sucesso de público e crítica. Nada mais merecido para uma das melhores atrizes que surgiram no início dos anos 80.

Ironicamente, talvez o papel anterior de Weaver que mais lembrasse sua personagem atual (a severa cientista Dra. Grace Augustine, botânica responsável pelo Programa Avatar) fosse outro que nada tinha a ver com ficção científica. Em A Montanha dos Gorilas, de 1988, ela interpreta uma personagem da vida real, a cientista Dian Fossey, pesquisadora que viajou à África para estudar os gorilas e, depois, ajudar em sua sobrevivência contra caçadores. A dedicação de Fossey não é diferente da da Dra. Augustine com relação aos Na’vi.

Após as filmagens de A Montanha dos Gorilas, Weaver tornou-se ambientalista. Certamente foi um dos motivos determinantes para James Cameron escalá-la como intérprete da Dra. Augustine.

A atriz, em ótima forma aos seus 60 anos (e não aparenta mais do que 45, embora com uma forcinha dos retoques digitais), rapidamente ganha a simpatia do público com sua determinação de preservar a bela cultura dos Na’vi e sua extraordinária ligação com a natureza.

A volta

Há mais de 10 anos relegada a pequenos papéis, finalmente Sigourney Weaver ganha o papel a que faz jus em Avatar. A primeira grande oportunidade foi como a inesquecível heroína Tenente Ellen Ripley, em Alien: O Oitavo Passageiro, de 1979, dirigido por Ridley Scott, marco do cinema, da ficção científica e do terror.

Na verdade, nesse primeiro filme da quadrilogia, a Tenente Ripley é quase uma coadjuvante, contracenando em igual tempo com outros 7 personagens. A diferença vem ao final, quando, como última sobrevivente do ataque do alienígena que invade a nave, toma todas as medidas para destruir a criatura. É verdade que parte do sucesso decorreu de uma das cenas finais, em que se despe sem saber da proximidade do monstro alienígena, mas a atriz comprovou que, além da beleza, também era dotada de grande talento interpretativo.

O formação completa da personagem Ellen Ripley veio à tona na continuação, Aliens: O Resgate, de 1986, dessa vez dirigida por James Cameron. Naquele filme, a melhor descrição da personagem é uma “Rambo” feminina, armada até os dentes para enfrentar a horda de alienígenas. Essa descrição, aliás, não está à altura da atriz, porque a personificação não seria marcante não fosse pela forte interpretação que, aliás, rendeu a Sigourney Weaver uma indicação ao Oscar de melhor atriz em 1987.

O reconhecimento rendeu papéis em importantes filmes dos anos 80 e 90, com destaque para Caça-Fantasmas, Uma Secretária de Futuro (indicação ao Oscar de melhor atriz), A Montanha dos Gorilas (indicação ao Oscar de melhor atriz) e 1492: A Conquista do Paraíso. Nessa época chegou a ser uma das atrizes mais bem pagas dos EUA.

Os dois filmes seguintes da série Alien não tiveram a mesma qualidade e, por consequência, o mesmo sucesso dos anteriores. No entanto, a capacidade da atriz de segurar os dois filmes com sua interpretação sempre marcante é indiscutível.

A metade final dos anos 90 não foi boa para ela, com participações em filmes de pequenos orçamentos e sem o merecido destaque. Exceções ficaram por conta do eficiente policial Copycat e a comédia Galaxy Quest.

O início do século 21 melhorou significativamente, com papéis secundários, mas com bom destaque, em A Vila, Rebobine, por Favor, Wall-E (a voz do computador da nave) e, finalmente, Avatar.

O futuro parece agora mais promissor, com a atriz de volta ao mapa. Um dos próximos projetos é o 3º Caça-Fantasmas, com estreia talvez para 2011. O cinema só tem a ganhar.