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Fábrica de dinheiro, um perigo danado

Por Da Redação Atualizado em 31 out 2016, 18h45 - Publicado em 31 jan 1999, 22h00

Dizem que o Brasil tem uma enorme dívida interna para pagar. Mas o governo não é o dono da fábrica? Por que não manda fazer o dinheiro?

Se você, que nos fez essa pergunta, fosse o ministro da Fazenda, a inflação já teria disparado. É o que acontece quando a Casa da Moeda faz dinheiro demais. Como todo mundo, o governo tem contas para pagar. A parte que ele não dá conta de quitar com os impostos é a dívida interna. Um jeito de saná-la é pedir emprestado a algum banco, o que custa caro. Outra opção é fazer dinheiro.

“Mas existe uma coisa chamada oferta de bens e serviços, ou seja, tudo o que existe para comprar no país, que precisa ser considerada”, explica o economista Fernando Nogueira da Costa, da Universidade Estadual de Campinas. Quando a Casa da Moeda faz dinheiro novo sem que a tal oferta suba, vai ter mais gente com dinheiro para comprar os mesmos produtos. “Aumenta a demanda sem que a oferta cresça”, diz Nogueira. E o que acontece quando tem mais gente querendo comprar do que produtos para vender? Os preços sobem e o dinheiro se desvaloriza!

É a inflação. Às vezes, sem saldo e incapaz de conseguir um empréstimo, o governo não tem saída e fabrica notas e moedas. Daí, a inflação explode. Mas também há economistas que acham que dá para emitir um pouquinho a mais do que a oferta de bens e serviços manda. Mesmo com o risco de inflação. Assim, pode-se dar um empurrãozinho no crescimento da economia.

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