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Homens são mais preconceituosos no Facebook

Eles costumam publicar conteúdos bem mais agressivos nas redes sociais do que as mulheres. Mas elas não ficam de fora, apenas pegam um pouco mais leve na hora publicar bobeiras.

Com as redes sociais tudo é mais fácil de ser compartilhado, até mesmo os discursos de ódio. E não faltam exemplos de mensagens preconceituosas pelo Facebook – de todo tipo de gente. Mas uma pesquisa da Espanha mostrou uma tendência entre os comentaristas: homens costumam ser mais diretos e agressivos do que as mulheres. 

Os pesquisadores analisaram 463 usuários do Facebook, de 17 a 24 anos, localizados no Reino Unido, na Bélgica, na Itália, na Espanha e na Romênia. Todos os voluntários sabiam que seus perfis estavam sendo monitorados.

No total, os participantes escreveram 363 posts com conteúdo preconceituoso ao longo de um ano. Cada uma dessas mensagens foi analisada e classificada em um ranking de “intensidade de discriminação” – em um nível de 1 a 5, do mais leve ao mais grave.

Os textos mais agressivos falavam contra minorias étnicas e raciais: mais de 70% desse tipo de ofensa se encaixavam nos níveis 4 e 5. E os autores eram, em sua maioria, do gênero masculino.

Mas isso não quer dizer que mulheres não escrevam bobeiras por aí. Escrevem, sim. Só que pegam um pouco mais leve – de nível 3, segundo a pesquisa. E os alvos são outros: gays, pobres e pessoas “feias” (segundo a percepção delas).  

Aí surge outro problema: as mensagens preconceituosas delas sobrevivem por mais tempo na rede. É que, quanto maior a agressividade do conteúdo, mais rapidamente a mensagem se espalha. Por isso, as mensagens escritas por homens tendem a ser mais denunciadas no Facebook e logo são excluídas. Já os textos publicados por elas, com conteúdo mais moderado, levam mais tempo até serem apagados – o que pode ser ainda pior.

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Homens e mulheres também mostram seus preconceitos de formas diferentes. Eles costumam ser mais diretos: criando os próprios textos, cheios de links, ou comentando em outras postagens. Já as mulheres tendem mais a apenas curtir e compartilhar links e textos alheios.

O projeto Internet: Desvendando criativamente a discriminação, liderado pelos pesquisadores, quer entender melhor o preconceito dos jovens na internet para ajudar educadores e famílias a combatê-lo. De acordo com eles, o estudo reforçou a ideia de que o preconceito digital não é uma nova realidade, apenas um reflexo da discriminação da vida real em um novo canal de disseminação.

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