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Matemática com carinho

Soma de afeto e atenção dentro de casa costuma resultar num aprendizado mais rápido e duradouro.

Por Redação Superinteressante Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 31 Maio 1996, 22h00 | Atualizado em 31 out 2016, 18h52
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Luiz Barco

Gostaria de discutir aqui dois fatos aparentemente desconexos: uma série de pequenos problemas do livro Ah Descobri!, de Martin Gardner (Gradiva, Lisboa, 1990) e o recorte do artigo intitulado “Quem vê mais TV vai mal em Matemática”, publicado no jornal Folha de S. Paulo em 7 de fevereiro de 1992, que eu tenho guardado até hoje.

O artigo foi um dos comentários exibidos na imprensa quando o Brasil se colocou em penúltimo lugar num teste de Matemática e Ciências a que foram submetidos estudantes de vários países. Na época, o ministro da Educação disse que o teste havia sido mal feito. Agiu como a mãe insegura que à primeira febre do filho quebra o termômetro para, atônita, descobrir que isso não cura a criança.

Em outros países, que obtiveram melhores colocações, a prova foi encarada com mais seriedade, gerando reformas educacionais. Para esta coluna, porém, o que interessa é que apesar do resultado final ser aquele colocado no título do artigo que citei, em certos países, como o Brasil, se saíram melhor justamente aqueles guris que assistem muita TV. Veja a comparação:

Não vá, por favor, concluir apressadamente que a TV brasileira é um poderoso instrumento educacional. Repare que enquanto o acerto dos coreanos está entre 60 e 80% o dos paulistas fica entre 35 e 40%. Análises dessas informações indicaram uma tendência já conhecida: os fatores que explicam escores como os da Coréia devem ser buscados mais nas casas do que nas escolas. Tudo bem que outras condições, como a infra-estrutura física e os recursos humanos dos sistemas educacionais têm sua importância, mas não nos iludamos. Sem a decisão da família de dar importância à educação dos filhos, o que inclui atenção e carinho, não se pode atingir uma performance animadora. Talvez, no caso do Brasil, a atenção que a TV dá às crianças seja ainda maior que a dedicada pelos pais. Triste, não?

Essa conversa toda me faz lembrar de uma velha tia que costumava ler livros de Monteiro Lobato para mim e para meus primos. No auge do nosso interesse, ela ia fazer bolinhos de chuva. Era o que bastava para que nós devorássemos, por conta própria, as aventuras de Narizinho, Pedrinho e sua turma, o que provavelmente não faríamos sem aquele incentivo inicial.

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Hoje o tio sou eu. Outro dia fui visitado por uma sobrinha que está no segundo grau e anda tropeçando em Física. Notei que sua ansiedade faz com que comece a resolver os problemas antes de ler o enun-ciado e calculei que poderia estar ali a raiz da sua dificuldade. Convidei-a, então, a ler o livro de Gardner que mencionei no começo deste artigo. Escolhi alguns problemas cujas soluções nos obrigam a pensar os dados do fim para o começo e ela logo percebeu a vantagem de lê-los por inteiro. Foi uma tarde tão divertida que resolvi selecionar um desafio para você. Aqui vai ele. Um biólogo molecular desenvolveu em laboratório um germe que se divide em três, de hora em hora, tendo cada um dos novos germes o mesmo tamanho do inicial. Se às 12 horas ele põe um único desses germes num recipiente e verifica que o frasco fica complemente cheio às 24 horas do mesmo dia, pergunta-se: a que horas um terço do recipiente estará tomado?

Basta pensar do final para o começo para concluir que o recipiente terá sua terça parte tomada às 23 horas. Mas, só para complicar um pouquinho, imagine que às 12 horas o biólogo colocou não um, mas três germes no recipiente. A que horas ele vai estar cheio? E a que horas um terço do seu espaço estará tomado? Não se apresse para responder. E confira o resultado na próxima edição da SUPER.

O quem vem depois?

Leia na página 89 a solução para os problemas sobre sucessões numéricas propostos na edição passada.

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Horas de TV por dia

Porcentagem de acertos

Coréia

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Menos de 1 hora 80%

Mais de 5 horas 60%

Brasil (SP)

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Menos de 1 hora 35%

Mais de 5 horas 40%

Luiz Barco é professor da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo

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