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Monges neurologistas

Os budistas estavam certos: meditar faz bem para o cérebro. E até melhora a criatividade

Texto Chico Spagnolo

Quem medita garante que os resultados são maravilhosos: a prática melhora a atenção, a criatividade, dá energia e equilíbrio emocional. Até há pouco tempo, essas constatações eram puramente empíricas, baseadas na experiência dos praticantes. Os cientistas, porém, estão dando mais atenção aos benefícios da meditação para o organismo, especialmente o cérebro.

Um dos estudos de mais fôlego nesse sentido é o projeto Shamatha, liderado pelo ex-monge budista e pesquisador de neurociência Alan Wallace. Os pesquisadores monitoraram as respostas fisiológicas e o comportamentais de 70 pessoas não habituadas com o ato de meditar durante 3 meses de retiro em montanhas do Colorado, nos EUA, em 2006. As reações mostraram que os indivíduos tiveram melhoras na capacidade de controlar a atenção, além de terem sua ansiedade reduzida e um aumento no bem-estar.

Ainda engatinhando – foram compilados pouco mais de 10% dos resultados -, o projeto Shamatha pretende revelar os efeitos do treinamento da meditação intensa na performance cognitiva, na atenção e até mesmo na saúde. Um dos maiores desafios é provar a hipótese de que a meditação pode contribuir para a busca da felicidade, e não somente combater altos níveis de estresse e de baixa estabilidade emocional. Se essa relação também for comprovada, mais um ponto para os monges budistas, que já sabiam disso tudo – há milhares de anos.

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