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Ordem na casa: mudança na evolução do homem

Foi descoberto o Australopithecus ramidus, que passa a ser o mais antigo ancestral do homem.

Flávio Dieguez

Eis o mais novo fundador da linhagem evolutiva humana, o Australopithecus ramidus, que andou pela Terra há 4,4 milhões de anos. Ele foi achado na Etiópia, África, bem perto do sítio em que se havia desenterrado o Australopithecus afarensis — até o meio deste ano o nosso mais antigo ancestral.

O ramidus, por isso, está perto de um ponto crucial na evolução, no qual a linhagem humana mistura-se com a dos grandes macacos, especialmente o chimpanzé.

Embora ancestrais do homem, nem o ramidus nem o chimpanzé são humanos. Eles não são incluídos no gênero Homo, ao qual pertence a nossa espécie, o Homo sapiens sapiens. O ramidus foi um Australopithecus, um gênero já extinto. O chimpanzé é do gênero Pan.

Mas é assim mesmo: quanto mais se recua para o passado, mais bichos entram para o círculo de parentesco do homem. As diferenças com o homem vão ficando cada vez maiores, mas algumas características básicas da humanidade são preservadas. A primeira linha horizontal da tabela agrupa todos os membros da ordem dos Primatas. Essa ordem agrupa os bichos mais parecidos com o homem entre todos os mamíferos. Nesse nível, até os pequenos lêmures, semelhantes aos roedores, são parentes nossos.

A segunda linha é a subordem dos antropóides, que se opõem aos prossímios.Em seguida, vê-se a família do homem, a dos hominídeos. O ramidus, por ter sido hominídeo, está mais próximo do homem do que o chimpanzé. Este, com o gorila e o orangotango, é da família dos pongídeos, a mais próxima dos hominídeos, entre os antropóides.

A linha seguinte mostra os australopitecos, onde duas espécies — o ramidus e o afarensis — estão na linhagem do homem. O africanus, do mesmo gênero, tinha traços divergentes. Não é considerado ancestral humano. Aí reside a importância do ramidus, que pode fornecer dados precisos sobre essa era de transição.

Os paleoantropólogos estão diante de um mundo em que os animais da linhagem humana eram muito mais numerosos do que hoje, confundindo-se com australopitecos, macacos e outros animais. Era muito mais interessante que o mundo atual, em que os únicos hominídeos somos nós.

Para saber mais:

O retrato do passado

(SUPER número 7, ano 8)

A genealogia dos primatas

Há 70 milhões de anos, alguns roedores primitivos ganharam características típicas: olhos voltados para a frente, dedos adaptados para agarrar, unhas em vez de garras e cérebro relativamente grande. Desde então, esses traços passaram a distinguir os primatas. Eles evoluíram em várias direções e uma delas levou ao homem moderno.