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Plugar seu cérebro em um computador?

Tiago Cordeiro

Sem dúvida. Iniciadas há mais de 30 anos, as pesquisas com dispositivos de leitura da mente estão avançando rapi-damente. Em 2002, o canadense Jens Naumann, que ficou cego aos 20 anos, começou a enxergar graças ao implante cerebral desenvolvido por William Dobelle, um cientista de Nova York especializado em criar órgãos artificiais. Dois anos depois, em 2004, o americano Matthew Nagle, que ficou paralítico por causa de uma briga com facas, recebeu um implante de 100 pequenos eletrodos na parte do córtex cerebral que controla os movimentos corporais. Com o aparelho, criado pela equipe do neurocientista John Donoghue, da Universidade Brown, nos EUA, Matthew se tornou capaz de controlar um cursor em uma tela de computador, abrir e-mails, ligar a televisão, jogar games e até mesmo movimentar um braço robótico. Agora, Donoghue está trabalhando em um sistema sem fio: o plano é conectar os eletrodos a uma placa de titânio implantada no cérebro.

No futuro, a relação entre cérebro e máquinas tende a melhorar. Sem recorrer a implantes, mas interpretando as informações do cérebro, novos equipamentos prometem aumentar nossa capacidade de cognição. A Microsoft está desenvolvendo o software Busy Body, que organiza melhor o trabalho – por exemplo, não avisando da chegada de e-mails irrelevantes que possam tirar sua atenção. Na área de implantes cerebrais, ainda não foi criado um jeito de aprender caratê via computador, como acontece no filme Matrix. Mas já é possível imaginar que implantes robóticos sejam incorporados como parte do nosso próprio corpo. De seu laboratório na Universidade Duke, nos EUA, o neurobiólogo brasileiro Miguel Nicolelis demonstrou que o cérebro de um macaco é capaz de assimilar um braço robótico como se fosse seu. Que tal implantar um terceiro braço?