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Por que é bom cantar no chuveiro?

Graças aos azulejos e paredes do boxe, a voz volta melhor do que saiu

“Os apreciadores de banho quente inalam seu calor, que adentra seus espíritos. Isso faz com que fiquem alegres e, com frequência, comecem a cantar”, diagnosticou o muçulmano Ibn Khaldun em 1377. Espíritos à parte, ele acerta em um ponto: cantar no banho tende a alegrar. Afinal de contas, a superfície lisa e as dimensões reduzidas fazem o som reverberar, encorpando sua voz.

A acústica do banheiro também favorece instrumentos. E isso mudou nossa música: foi no banheiro da casa da sua irmã que João Gilberto criou a batida de violão da bossa nova.

Fatores que turbinam o canto no banho

PORTA
Quando mais denso o material, maior a reflexão de ondas sonoras. Uma porta de vidro seria ótima; uma de acrílico, mais ou menos. Já uma cortina de plástico, menos densa, vai deixar sua voz escapar.

AZULEJOS
Feitos de cerâmica, eles refletem melhor as ondas sonoras. Isso faz com que o boxe funcione como uma caixa de ressonância — o som se torna mais intenso.

ÁREA PEQUENA
Quanto menor o boxe, melhor a acústica. Paredes próximas favorecem a reverberação — a voz fica mais tempo no ar após a emissão de cada nota, dando a sensação de um som mais cheio.

PAREDES LIMPAS
Móveis são obstáculos para as ondas de som. Como o banheiro geralmente possui menos mobília, favorece a reverberação do som.

Fontes: Marcelo Lopez e Fernando Veiga Rassi, técnicos em acústica; Chega de Saudade, Ruy Castro.