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Se Índia e Paquistão travassem uma guerra nuclear?

Se a Índia e o Paquistão travassem uma guerra nuclear, a destruição seria abrangente e Nova Delhi e Islamabad se transformariam em dois odiosos cogumelos atômicos.

Otávio Rodrigues

A nimado com a guerra que os Estados Unidos vão vencendo no vizinho Afeganistão, e encorajado com o fato de ter apoiado os americanos nesse movimento bélico, o Paquistão aproveita o embalo e centra fogo na disputa pelo vale da Caxemira com sua arquirrival, a Índia. A região, colocada na fronteira entre os dois países, e que faz limite também com a China, é um cão sem dono desde 1947, quando, por motivos religiosos, o subcontinente indiano foi dividido em dois países – o Paquistão, de maioria muçulmana, e a Índia, dominada pela religião hindu. Depois de duas guerras, travadas em 1965 e 1971, discussões infrutíferas e trocas de tiros junto à fronteira, as duas subpotências nucleares finalmente se lançam em combates freqüentes e cada vez mais violentos. De início, o Paquistão avança espantosamente sobre a Índia com uma frota de táxis-bomba – um suicida graduado na direção e um falso passageiro no banco de trás, na verdade um aprendiz, com a missão de dar incentivo e apoio moral.

A Índia contra-ataca com armas químicas. Primeiro faz um “gato” no encanamento e distribui a contaminada água do rio Ganges para as torneiras do vizinho. Depois, envia milhares de cartas com pó de curry modificado em laboratório para autoridades e cidadãos paquistaneses, que entram em pânico pensando que se trata do agente laranja. Islamabad, a capital do país, está tomada pela fumaça do incenso inimigo quando o presidente decide apertar o botão. O primeiro míssil atinge Nova Delhi, abre um enorme buraco num centro comercial… mas não explode. Restam ainda quatro das cinco ogivas nucleares compradas na China – todas com a validade vencida. No mundo inteiro, pessoas saem em passeatas levantando pôsteres de Gandhi em nome da paz. Mas nada consegue deter a Índia, que também aperta o botão. O Paquistão tenta de novo, agora com três mísseis, na esperança de que pelo menos um funcione. São os 15 minutos mais longos da história.

O mundo inteiro assiste incrédulo, pela TV, ao vôo dos dois foguetes equipados com minicâmeras no bico. Nova Delhi e Islamabad afinal se transformam em dois odiosos cogumelos atômicos. As bombas têm 30 quilotons – algo como uma bomba e meia de Hiroshima –, o que não chega a tirar o planeta do eixo mas produz uma nuvem radioativa fenomenal, alcançando até parte da África e da Europa. Morrem milhões. Forçados a se encontrar pela ONU e pelos países centrais, os presidentes dos dois países são convencidos de que cometeram um grave erro. Decide-se que a Caxemira não vai ficar nem com a Índia nem com o Paquistão, mas com a China. Só que terão de esperar algumas décadas, até a poeira radioativa baixar.

São os 15 minutos mais longos da história. O mundo inteiro assiste incrédulo, pela TV, ao vôo dos dois mísseis, que agora vêm equipados com minicâmeras no bico