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Seu andar no prédio pode afetar as decisões que você toma no trabalho

O efeito é psicológico – e conhecer mais sobre ele ajuda a evitá-lo

Por Ana Carolina Leonardi - 18 abr 2018, 15h37

Altura é uma coisa que mexe com a gente. Tem quem sinta pavor de estar longe do chão – e, do outro lado, há quem não troque por nada uma vista panorâmica: quanto mais elevada, melhor.

Mas e se você soubesse que a altura do seu escritório pode estar afetando suas decisões profissionais? Foi exatamente isso que concluiu um estudo da Universidade de Miami, publicado no periódico Journal of Consumer Psychology.

Os pesquisadores começaram por analisar dados de mais de 3 mil grandes fundos de investimento multimercado – que movimentavam mais de US$ 500 bilhões de dólares ao redor do mundo. Os escritórios das empresas ficavam entre o 1º e o 96º andar. Quando os cientistas cruzaram as informações, notaram que quanto mais alto o escritório, maior a instabilidade da empresa.

Não está convencido? Pois os cientistas fizeram mais dois testes. Eles levaram voluntários, um a um, a um elevador panorâmico, com paredes de vidro, em um prédio com mais de 70 andares.

Conforme o elevador subia e descia, os participantes tinham que tomar decisões financeiras em um jogo de apostas criado pelos pesquisadores. Funcionava assim: cada participante podia escolher entre dois tipos de loteria para apostar. O primeiro sorteio tinha uma chance de vitória bem maior – mas a soma recebida pelo vencedor era média. Se escolhessem a segunda opção, os voluntários iam para o tudo ou nada: podiam ser sorteados com um prêmio enorme ou sair com uma recompensa bem merreca.

Quando o teste terminou, os pesquisadores notaram que, enquanto o elevador estava subindo até o 72º andar, os participantes tendiam a fazer a aposta mais arriscada. Quando a máquina estava descendo, eles eram mais conservadores.

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Por último, outro grupo de voluntários foi levado até o prédio de uma universidade, com três andares. Dessa vez, eles tinham 3 opções de aposta: uma com ganhos altos, mas arriscada; outra com risco médio e recompensa média; e a última bastante garantida, mas com um prêmio pequeno.

Cada um pôde apostar 10 vezes. E, de novo, quem estava no andar mais alto decidia pelas opções mais arriscadas com bem mais frequência que seus colegas no andar térreo.

Ainda que o estudo só tenha analisado decisões financeiras, os pesquisadores acreditam que isso afeta todo tipo de decisão que envolve risco. Um pequeno teste do mesmo grupo, por exemplo, mostrou que as pessoas são mais abertas a experimentar uma fruta desconhecida em andares mais altos.

O que estaria por trás desse fenômeno? Segundo Sina Esteky, a pesquisadora que liderou o estudo, a altura cria uma sensação subconsciente de poder, “que resulta em uma atração por comportamentos de risco”.

Preocupado? Pode relaxar, ao menos depois de ler esse texto. Depois que os pesquisadores informavam os participantes de que o viés da altura existia, o efeito desaparecia. Além disso, quando as pessoas não eram capazes de enxergar a vista do alto, longe das janelas, por exemplo, o comportamento não sofria alteração.

“O cérebro é muito suscetível a fatores ambientais sutis, mas também é muito bom em corrigi-los. Ter consciência disso pode nos ajudar a tomar decisões mais racionais”, conclui a pesquisadora.

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