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Sóis, estrelas e cometas em cavernas no Nordeste

Por Da Redação - Atualizado em 31 out 2016, 18h45 - Publicado em 30 abr 1988, 22h00

Ronaldo Rogério de Freitas Mourão

A recente descoberta de que pode ter sido um observatório astronômico rudimentar a cerca de 3300 anos no município baiano de Central, próxima ao rio São Francisco, a uma caverna com pinturas de luas, sóis, estrelas e um cometa, a é uma evidência de que o nordeste brasileiro guarda importantes sítios arqueoastronômicos. O estudo das gravuras e pinturas rupestres, um dos vestígios deixados pelo homem para analisar sua passagem pelo planeta terra, constitui um dos elementos fundamentais de que os arqueólogos dispõem para tentar restaurar os conhecimentos e o modo de vida dos habitantes de determinadas regiões.

Os estudos de Arqueoastronomia, em particular os da arte rupestre, foram incentivados pelo astrofísico JC Brandt, SP. Maran e P.P. Stecher, em artigo no Astrophísical Journal Letters, em 1971. Eles pediram aos arqueólogos esforços para localizar, em sítios arqueológicos, os sinais que pudessem estar associados ao aparecimento de supernovas, tais como a da constelação Vela, que explodiu há cerca de 10.000 anos. No Brasil existem sítios arqueológicos, com motivos arqueoastronômicos, no Piauí, na Paraíba e na Bahia. Um deles, situado na região do município de Central, vem sendo estudado há mais de três anos por ser uma equipe arqueólogos do museu nacional chefiada por Marisa Conceição Beltrão, já foram encontrados sinais em pinturas rupestres de gliptodontes – uma espécie de tatu-gigante – , de toxodontes, mamífero semelhante ao hipopótamo-, megatérios , preguiças gigantes, Cavallo etc., em quase todas as cavernas da região.

Uma das mais importantes descobertas da equipe liderada por Maria Beltrão foi efetuada pelos arqueólogos canadenses Ruth Gruhn e Alan Brian, que localizaram na Fazenda de Boa Fé, no município de Xiquexique, várias representações de natureza astronômica, inclusive os contornos de um cometa. Poderia haver dúvida de que se trata de um cometa se a seu lado não estivesse desenhadas três estrelas e seu núcleo e calda encorpada não estivesse tão bem delineados. A determinação da idade da pintura poderia permitir a identificação do cometa, no caso de a pintura datar dos últimos 3000 anos. Ao contrário, se for uma pintura de idade superior a essa, sua identificação só seria possível no caso de se tratar de um cometa periódico.

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Além desse conjunto de objetos celestes, existem outras figuras cosmológicas, conforme pudemos observar em duas idas à região.Algumas reproduzem o Sol, em geral como dois círculos concêntricos. Esses círculos, que lembram a luz solar e, tem vários raios que vão do núcleo central a a periferia. Parecem sunburst da Austrália, que seria o registro de uma supernova observada pelos aborígines a 12.000 anos.

Tal semelhança de círculos concêntricos, em sítios arqueológicos brasileiros e australianos, não seria suficiente para aprovar a passagem daquele povo pelo nosso território, pois sabemos que concepções idênticas de um mesmo fenômeno ou objetos celestes podem surgir em povos que nunca estiveram em contato. A visita às outras tocas da região foi muito útil, pois tornou possível constatar a existência de três tipos de círculos concêntricos as arraigados. No primeiro no primeiro, uma mancha central emite uma série de raios. No segundo tipo, a mancha do centro constitui uma área de pequena de me de pequenas dimensões da qual partem vários raios, em geral cerca de uma ou duas dezenas. No terceiro, o mais sofisticado, os numerosos raios (mais de 50) que sai do centro apresentam dois ou mais círculos concêntricos, situados no interior de um círculo maior que os delimita. Outras figuras, de tipo solar, parcialmente desenhadaspor exemplo, se me círculos e fim, tem raios maiores na parte superior, como se estivessem tentando representar o sol nascente e no poente. Sofás uns e mais estáveis e que alguns desses textos das o sol dos doentes estão desenhados vovó do superior da caverna, sugerindo que aqueles poucos o seu local da passagem do sol nas posições extremas ofício de inverno e verão, tendo em vista que a abertura da copa do cosmos e está voltada para o oeste.

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