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Sua personalidade pode estar ligada à qualidade do seu sono

Os Cinco Grandes Fatores podem estar associados há vários hábitos noturnos prejudiciais – de dormir muito pouco até passar tempo em excesso na cama.

Por Ana Carolina Leonardi Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
16 jun 2019, 12h55

Faz anos que os pesquisadores que estudam a personalidade se deparam com um mistério: alguns traços de personalidade parecem estar mais presentes entre pessoas que vivem por mais tempo – e, outros traços, entre aqueles que têm vidas mais curtas. Um estudo recente foi o primeiro a dar uma pista do motivo: o sono.

A qualidade do seu sono promove um baita efeito dominó no seu organismo – sono ruim já foi associado com um risco maior de doenças cardiovasculares e problemas imunológicos. Agora, cientistas descobriram uma associação entre a qualidade do sono e os traços de personalidade conhecidos como Big Five.

O Modelo dos Cinco Grandes Fatores mede os cinco traços de personalidade mais aceitos pela psicologia: neuroticismo (ou instabilidade emocional), extroversão, sociabilidade, escrupulosidade (que mede a autodisciplina) e abertura para novas experiências. 

O estudo coletou informações sobre sono, personalidade e estado de saúde de uma amostra de 4 mil pessoas, que responderam a vários questionários entre 1994 e 2006.

A primeira coisa que os cientistas verificaram, cerca de dez anos depois, é que as pessoas que dormiam muito pouco – ou tempo demais – tinham uma probabilidade levemente maior de ter falecido desde a coleta das informações. O risco aumentado de morte foi de 10% para as pessoas que dormiam mais de 8 horas ou menos de 6 horas por noite.

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Aí é que a personalidade entrou na história. Alguns traços, como neuroticismo, foram associados com um sono pior – e, por consequência, com o tal risco aumentado de mortalidade.

O primeiro traço importante no estudo foi escrupulosidade. Ela mede a autodisciplina – e pessoas com baixa autodisciplina estavam dormindo menos durante a noite, e se sentindo mais cansadas durante o dia… Provavelmente pela maior dificuldade que elas têm de estabelecer uma rotina.

Por outro lado, pessoas com um traço neurótico forte – ou seja, muito instáveis emocionalmente – dormiam demais ou muito pouco. Esse é um traço associado com preocupação constante, o que pode tornar mais difícil que essas pessoas caiam no sono – e que levantem em horários razoáveis no dia seguinte.

O estudo ainda precisa ser validado com um grupo maior de pessoas, mas ele pode, no futuro, ajudar a tornar os tratamentos de distúrbios do sono mais eficientes. Entendendo melhor o que motiva uma pessoa a manter hábitos de sono pouco saudáveis – como a falta de disciplina e a preocupação – pode ajudar profissionais de saúde a intervir de uma maneira mais focada, e ajudar o paciente não só a dormir, mas também a gerir melhor essas características.

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