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Sua personalidade pode estar ligada à qualidade do seu sono

Os Cinco Grandes Fatores podem estar associados há vários hábitos noturnos prejudiciais – de dormir muito pouco até passar tempo em excesso na cama.

Faz anos que os pesquisadores que estudam a personalidade se deparam com um mistério: alguns traços de personalidade parecem estar mais presentes entre pessoas que vivem por mais tempo – e, outros traços, entre aqueles que têm vidas mais curtas. Um estudo recente foi o primeiro a dar uma pista do motivo: o sono.

A qualidade do seu sono promove um baita efeito dominó no seu organismo – sono ruim já foi associado com um risco maior de doenças cardiovasculares e problemas imunológicos. Agora, cientistas descobriram uma associação entre a qualidade do sono e os traços de personalidade conhecidos como Big Five.

O Modelo dos Cinco Grandes Fatores mede os cinco traços de personalidade mais aceitos pela psicologia: neuroticismo (ou instabilidade emocional), extroversão, sociabilidade, escrupulosidade (que mede a autodisciplina) e abertura para novas experiências. 

O estudo coletou informações sobre sono, personalidade e estado de saúde de uma amostra de 4 mil pessoas, que responderam a vários questionários entre 1994 e 2006.

A primeira coisa que os cientistas verificaram, cerca de dez anos depois, é que as pessoas que dormiam muito pouco – ou tempo demais – tinham uma probabilidade levemente maior de ter falecido desde a coleta das informações. O risco aumentado de morte foi de 10% para as pessoas que dormiam mais de 8 horas ou menos de 6 horas por noite.

Aí é que a personalidade entrou na história. Alguns traços, como neuroticismo, foram associados com um sono pior – e, por consequência, com o tal risco aumentado de mortalidade.

O primeiro traço importante no estudo foi escrupulosidade. Ela mede a autodisciplina – e pessoas com baixa autodisciplina estavam dormindo menos durante a noite, e se sentindo mais cansadas durante o dia… Provavelmente pela maior dificuldade que elas têm de estabelecer uma rotina.

Por outro lado, pessoas com um traço neurótico forte – ou seja, muito instáveis emocionalmente – dormiam demais ou muito pouco. Esse é um traço associado com preocupação constante, o que pode tornar mais difícil que essas pessoas caiam no sono – e que levantem em horários razoáveis no dia seguinte.

O estudo ainda precisa ser validado com um grupo maior de pessoas, mas ele pode, no futuro, ajudar a tornar os tratamentos de distúrbios do sono mais eficientes. Entendendo melhor o que motiva uma pessoa a manter hábitos de sono pouco saudáveis – como a falta de disciplina e a preocupação – pode ajudar profissionais de saúde a intervir de uma maneira mais focada, e ajudar o paciente não só a dormir, mas também a gerir melhor essas características.