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Ter amigos faz bem para o coração

E à cabeça também. A ciência comprova que as pessoas que têm vida social ativa são muito mais saudáveis e felizes

É recomendação médica: tenha amigos e viva mais e melhor. Se você tem uma rede de pessoas em quem confia, com quem pode compartilhar os problemas e sair para dar boas risadas, vai sentir a diferença no seu próprio corpo. E ela não é pequena: ao medir os fatores que ajudam na longevidade, uma pesquisa da Universidade Brigham Young, dos Estados Unidos1, descobriu que ter relações sociais é ainda mais importante do que se exercitar e se alimentar bem.

As conexões sociais ajudam basicamente de duas formas. Vamos conhecê-las:

1. Melhoram o corpo

Se você se surpreendeu com a informação de que amigos são mais importantes do que dietas e academias, acompanhe o raciocínio de Julianne Holt-Lunstad, professora de psicologia e chefe do estudo sobre amizades da universidade americana: “Amizades são estimulantes. A interação faz descobrir novos lugares”, explica.

“Uma pessoa que pertence a um círculo social acaba, espontaneamente, se tornando mais ativa e com uma dieta mais diversificada.” Ou seja, as relações sociais estimulam, naturalmente, uma melhoria na rotina. Por isso mesmo, um estudo da Universidade da Califórnia2 confirmou que, dentro de um grupo de amigos, perder peso é contagioso – se uma pessoa consegue, as outras tendem a conseguir também.

O resultado de ter amizades pode ser observado em vários sistemas do organismo, em especial o cardiorrespiratório. A melhoria na qualidade de vida tem efeitos diretos na respiração, na pressão arterial e nos batimentos cardíacos.

Ter amigos melhora ainda indicadores como o colesterol e a glicose no sangue. Com isso, o sistema imunológico também evolui. E, para quem já tem algum problema crônico, as amizades ajudam a lidar com ele. “Doenças podem parecer mais graves quando se está sozinho e só se pensa nisso o dia inteiro. As conexões sociais distraem para outros assuntos, mesmo que sejam os problemas de outras pessoas”, diz Julianne.

2. Melhoram a mente

A imagem da pessoa de mais de 50 anos vivendo sozinha e sem muitos amigos está totalmente defasada. Essa faixa de idade agora é marcada pela intensa atividade social, que é um ótimo remédio para tratar de ansiedade e estresse.

A amizade é tão estimulante que ver um amigo feliz aumenta sua própria felicidade. O convívio reduz a quantidade do hormônio do estresse (o cortisol) e estimula a produção de todos os hormônios ligados à felicidade, capazes de aumentar a resistência a dores (as endorfinas), combater estados depressivos (a serotonina) e melhorar os vínculos emocionais e o prazer de pertencer a um grupo (a oxitocina).

“Amigos nos dão um senso de propósito, um motivo para nos cuidarmos”, afirma a professora Julianne. E quantos amigos são necessários para dar esses resultados? Os estudos apontam que é importante ter no mínimo quatro bons amigos, daqueles que você não vive sem3! Mas claramente não existe limite máximo, quanto mais, melhor!

E então, vai ficar parado? Mande uma mensagem para aquele(a) amigo(a) que você não vê há meses e viva com tudo!

Fontes

1 HOLT-LUNSTAD, Julianne et al. Loneliness and Social Isolation as Risk Factors for Mortality, 2015. Disponível em: http://pps.sagepub.com/content/10/2/227.abstract. Acesso em 08 nov. 2017.
2 ANDERSSON, Matthew et al. Desire for weight loss, weight-related social contact, and body mass outcomes, 2016. Disponível em: http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/oby.21512/full. Acesso em 08 nov. 2017.
3 DUNBAR, Robin. How Many Friends Does One Person Need?: Dunbar’s Number and Other Evolutionary Quirks, 2010. Disponível em: https://www.amazon.com/Many-Friends-Does-Person-Need-ebook/dp/B004UEL9TI/ref=sr_1_sc_1?ie=UTF8&qid=1504100154&sr=8-1-spell&keywords=how+many+frieds+does+a+person+need. Acesso em 08 nov. 2017.