GABRILA65162183544miv_Superinteressante Created with Sketch.

5 casos reais de óvnis para ver na nova série do History

Produzida por Robert Zemeckis, Projeto Livro Azul traz histórias reais da Força Aérea americana, que investigou mais de 12 000 avistamentos nos anos 50 e 60

Entre 1952 e 1969, a Força Aérea dos Estados Unidos investigou mais de 12 000 casos de avistamentos de óvnis. Essas apurações ocorreram dentro de uma iniciativa oficialmente chamada Project Blue Book (“Projeto Livro Azul”), que era o sucessor de dois programas anteriores, o Project Sign (de 1947) e o Project Grudge (de 1949). No dia 10 de agosto, às 22h30, o canal History estreia a nova série Projeto Livro Azul, que ficciona os casos pesquisados pelo projeto da vida real e reapresenta ao público os mistérios que abalaram a opinião pública nos anos 1950 e 1960.

Produzida por Robert Zemeckis (De Volta para o Futuro, Forrest Gump), a série bateu recordes de audiência nos Estados Unidos em sua estreia, com média de 3,4 milhões de telespectadores. O elenco é encabeçado por Aidan Gillen (Game of Thrones, The Wire), que interpreta o dr. J. Allen Hynek, um professor universitário recrutado pela Força Aérea americana para liderar o projeto. Ao assumir o cargo, ele estabelece uma parceria com o capitão Michael Quinn (Michael Malarkey), cujo passado militar guarda segredos obscuros. Conforme investigam os casos, Hynek e Quinn percebem que podem estar lidando com uma grande conspiração.

Hynek existiu de verdade – foi um astrônomo contratado para ser consultor do programa nos anos 1950 e ficou no cargo até o seu encerramento. Cético assumido, ele admitiu ter mudado de opinião após ouvir os inúmeros relatos de testemunhas no Blue Book, dizendo, em 1985, que “bem, talvez exista algo (cientificamente relevante) nisso tudo”. Em 1973, ele fundou o Center for UFO Studies (Cufos), ou Centro para Estudo de Óvnis, que pregava uma abordagem científica séria para o assunto, e chegou a discursar sobre o tema nas Nações Unidas. Hynek faleceu em 1986.

A série é um prato-cheio para quem curte a mistura de trama política com ficção científica, mas há uma relevância genuína no assunto mesmo para quem não é fã do gênero. A maior parte dos casos investigados foi classificada pelo projeto como fraude ou interpretação equivocada de objetos convencionais ou fenômenos naturais. Porém 701 deles permanecem oficialmente sem explicação até hoje. Como desvendar o que nem uma força-tarefa séria, formada só para isso, conseguiu?

Projeto Livro Azul, ao ficcionar esse momento da história, oferece uma visão sobre o que tudo poderia ter sido. Confira alguns casos da vida real que são revisitados na série.

Michael Malarkey interpreta o capitão Michael Quinn, militar com passado obscuro recrutado pela Força Aérea americana para integrar o projeto

Michael Malarkey interpreta o capitão Michael Quinn, militar com passado obscuro recrutado pela Força Aérea americana para integrar o projeto (Canal History/Divulgação)

1. A Luta de Gorman (1948)

George Gorman foi um piloto americano que serviu na Segunda Guerra Mundial. Em 1948, mesmo com apenas 25 anos, ele já era um veterano e atuava na Guarda Nacional do estado de Dakota do Norte. Na noite do dia 1o de outubro daquele ano, Gorman e outros pilotos da Guarda estavam fazendo um voo de longa distância juntos. Quando chegaram à cidade de Fargo, os companheiros de Gorman decidiram pousar, mas ele quis permanecer no ar e aproveitar a boa condição do tempo.

Era por volta das 21h quando, após sobrevoar um estádio, Gorman identificou outros dois objetos voadores no ar: um pequeno avião monomotor de modelo Piper Cub e outro que não conseguiu identificar – Gorman apenas enxergava uma luz piscante. Ele entrou em contato com o aeroporto de Fargo para saber do que se tratava, mas, até onde eles sabiam, as únicas naves sobrevoando a cidade naquele momento eram seu Mustang P-51 e o Piper Cub.

Curioso, Gorman decidiu perseguir o artefato. Como era rápido demais para ser alcançado por seu caça, ele fez curvas para cortar caminho e encontrar o objeto no meio de sua trajetória. Conseguiu chegar perto duas vezes e, em ambas, o bólido se afastou realizando uma curva íngreme para cima. Os operadores do aeroporto e o piloto do Piper Cub (que já havia pousado a essa altura) também viram o objeto. Gorman foi atrás do óvni por 20 minutos até que ele desaparecesse. Após isso, voltou para o aeroporto.

Em uma entrevista para o Projeto Sign (antecessor do Projeto Livro Azul), Gorman fez uma descrição sóbria sobre o que viu, que classificou como uma “bola de luz”. Ele declarou que o objeto indicava ser pilotado de forma inteligente e que, apesar da velocidade extraordinária, parecia obedecer à lei da inércia. Também declarou que não imaginava como um piloto humano pudesse manter a consciência em uma nave que fizesse curvas tão fechadas em tamanha velocidade.

Em 1949, a Força Aérea americana declarou que o que Gorman viu foi um balão meteorológico. Isso não impediu, porém, que o relato se popularizasse, até mesmo pela quantidade de testemunhas, e fosse vastamente reproduzido entre os entusiastas de óvnis. A história de Gorman serve como base para o roteiro do primeiro episódio de Projeto Livro Azul, chamado A Batalha de Fuller.

2. O monstro de Flatwoods

Na noite de 12 de setembro de 1952, na cidadezinha rural de Flatwoods, localizada no estado da Virgínia Ocidental, três crianças viram um objeto voador pousar em um sítio próximo à sua residência. Elas voltaram para avisar a mãe, que saiu para investigar e juntou à turma mais duas crianças e um oficial da guarda estadual. Ao chegarem ao topo de uma colina, um dos pequenos disse ver uma luz vermelha pulsante. O guarda, Eugene Lemon, apontou sua lanterna na direção indicada e teve uma surpresa.

Eles viram o que parecia ser uma criatura hominídea, alta, com o rosto vermelho e nariz curvado. O corpo foi descrito como verde ou preto (os registros da época variam), e a mãe dos garotos, Kathleen May, disse que as mãos pareciam garras e a pele tinha dobras. O grupo ficou extasiado com a aparição, mas a animação logo virou horror quando o ser abriu voo e planou em direção a eles. Todos correram em pânico nesse momento e Lemon derrubou a lanterna.

Se era um alienígena ou não, ninguém sabe (as investigações mais conservadoras apontam que o grupo simplesmente avistou uma coruja e, no calor do momento, imaginou o resto). Mas esse caso, que inspirou o segundo episódio de Projeto Livro Azul, chamado O Monstro de Flatwoods, ficou famoso na região, que virou atração turística (algo bem parecido com o que aconteceu na cidade mineira de Varginha após a suposta aparição de um ET em 1996). Há até um museu dedicado ao monstro, com merchandising exclusivo.

3. As luzes de Lubbock

Esse caso é especial por dois motivos. O primeiro é que ele foi observado por centenas de pessoas. O segundo é que ele foi fotografado. A cidade de Lubbock, no estado americano do Texas, viveu semanas de bastante agitação por causa dos avistamentos das luzes e, até hoje, ninguém sabe exatamente o que elas eram.

Tudo começou na noite de 25 de agosto de 1951, por volta das 21h, quando um grupo de cientistas reunidos informalmente no quintal de um colega avistou um conjunto de 20 a 30 luzes esverdeadas passando no céu. Elas formavam a silhueta da letra V. Nos dias seguintes, as luzes foram reaparecendo e o caso, ganhando popularidade. No fim de setembro, centenas de residentes da cidadezinha já haviam visto. Um dos alunos da universidade local, Carl Hart Jr., chegou a bater cinco fotos dos objetos voadores – as únicas que existem do fenômeno.

Nunca ficou explicado o que eram os óvnis. A Força Aérea apresentou a teoria de que se tratava de aves em migração (o que explicaria a formação em V) refletindo as luzes dos postes de rua (o que esclareceria sua luminosidade). Mas nem todo mundo acreditou nessa versão. Pode ser também que tenha ocorrido um caso de histeria em massa, já que muita gente só testemunhou as luzes depois de ficar sabendo delas pelos jornais. Projeto Livro Azul explora o mistério em seu terceiro episódio.

4. A Operação Clipe de Papel

Após o fim da Segunda Guerra Mundial, o governo americano recrutou mais de 1 600 cientistas, engenheiros e técnicos alemães para trabalharem em solo americano. Esses profissionais, muitos deles ex-nazistas, foram transportados com suas famílias para os Estados Unidos em um programa oficialmente batizado de Operação Clipe de Papel. O objetivo era ajudar o país em seu desenvolvimento tecnológico e militar contra a União Soviética (que também tinha um programa semelhante) durante o período da Guerra Fria.

Entre esses cientistas cooptados estava Wernher von Braun, engenheiro aeroespacial e um dos principais nomes no desenvolvimento de foguetes na Alemanha. Nos Estados Unidos, ele participou de vários projetos famosos, como o do PGM-11 Redstone, primeiro míssil balístico de grande escala do país.

Na vida real, o conflito da Operação Clipe de Papel era principalmente ético – será que não era imoral com as vítimas do Holocausto utilizar ex-servidores do Terceiro Reich para fins desenvolvimentistas? No campo das teorias da conspiração, há quem aponte o dedo para Von Braun como uma figura-chave, que sabia de acobertamentos de contatos com alienígenas (inclusive no caso Roswell).

Na série Projeto Livro Azul, Von Braun é trazido à ficção como a mente por trás de um projeto bem nefasto envolvendo alienígenas resgatados e uso de tecnologia extraterrestre para fins militares. A história está no quarto episódio.

5. As bolas de fogo verdes

A partir de 1948, o estado americano do Novo México, mais especificamente a região que circundava a base militar de Sandia e o Laboratório Nacional de Los Alamos (locais que desenvolviam projetos ligados a armas nucleares), se tornou um ponto de avistamentos frequentes de bolas luminosas no céu. Elas geralmente apareciam de madrugada e se caracterizavam pela alta velocidade, pelo tom esverdeado e pelas trajetórias erráticas. Muitas vezes, eram vistas por pilotos de caça que declaravam ser perseguidos por elas.

O fenômeno chamou a atenção da imprensa, o que levou a reportagens em jornais e a uma famosa matéria na revista Time intitulada “Great Balls of Fire” (“grandes bolas de fogo”). O fato de que as bolas verdes apareciam tão perto de bases militares levou muita gente a acreditar que se tratava de artefatos de espionagem dos soviéticos.

As explicações nunca vieram. Na época, cogitou-se tratar-se de meteoros, mas a hipótese acabou descartada, pois não havia sinais de colisão com o solo. Uma pesquisa mais recente, de 2006, sugeriu que pudessem ser raios globulares, um fenômeno ainda novo para a ciência, mas que consiste basicamente em raios com formato esférico. A luz verde seria resultado de oxigênio ionizado, mesma substância que produz o efeito esverdeado da aurora boreal. Já um livro de 2008 apresentou a hipótese de que as bolas seriam, na verdade, resíduos de testes atômicos secretos.

Mas é claro que há também a teoria de que as bolas eram causadas por atividade alienígena. Edward J. Ruppelt, um dos diretores do Projeto Livro Azul da vida real, visitou o Laboratório Nacional de Los Alamos em 1952 para entrevistar os funcionários a respeito do caso. Em seu livro The Report On Unidentified Flying Objects, publicado em 1956, Ruppelt contou os resultados das conversas: “Eles haviam pensado muito a respeito e tinham uma teoria. Achavam que as bolas de fogo eram sondas alienígenas lançadas em nossa atmosfera por uma espaçonave que estaria estacionada a centenas de quilômetros do solo”.

 (Canal History/Divulgação)

As bolas verdes de fogo viram alvo da investigação do dr. Hynek e do capitão Quinn no sexto episódio de Projeto Livro Azul Pra quem ficou roendo as unhas com esses mistérios não solucionados, a série estreia com episódio duplo no dia 10 de agosto no canal History, e semanalmente, aos domingos, às 22h30.

Comentários
Deixe um comentário

Olá,

* A Abril não detém qualquer responsabilidade sobre os comentários postados abaixo, sendo certo que tais comentários não representam a opinião da Abril. Referidos comentários são de integral e exclusiva responsabilidade dos usuários que escreveram os respectivos comentários.

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s