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A banda que toca embaixo d’água

Between Music é o nome do conjunto que se apresenta dentro de aquários

Por Felipe Germano Atualizado em 4 nov 2016, 19h15 - Publicado em 12 jul 2016, 14h30

O que você espera ver dentro de um aquário? Peixes dourados? Tartarugas? Uma banda? Os fãs do grupo Between Music estão procurando essa última opção. A nova apresentação do conjunto propõe exatamente isso: os músicos entram dentro de aquários para cantar e tocar seus instrumentos. O vídeo segue abaixo:

A ideia levou 10 anos para ser concluída. Não é à toa. Tudo que conhecemos sobre música tem a ver com ar: o som se propaga nesse meio. Com a água sendo muito mais densa que o ar, o som fica mais abafado do que é normalmente; a ressonância dos instrumentos também muda, já que embaixo da água os sons ficam quatro vezes mais rápidos do que fora – assim, o resultado final de um violino, por exemplo, é completamente alterado. Os músicos, então, tiveram que começar todos seus estudos do zero.

No caso da voz, por exemplo, tudo ficou nas mãos da cantora dinamarquesa, Laila Skovmand. Para conseguir cantar submersa, a vocalista teve que aprender a segurar, dentro da boca, as bolhas (que apareciam sempre que ela emitia um som). Skovmand conseguiu construir uma técnica que faz sua voz passar entre as bolas de ar, sem dispersa-las pelo aquário – atrapalhando o som.

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A parte dos instrumentos foi ainda mais complexa. Cada instrumento reage de uma forma diferente dentro da água. Os rolamentos internos de instrumentos de sopro ficam duros, e as cordas se tornam escorregadias. Além disso, exista a toxidade dos materiais. Os objetos tinham que ser livres de qualquer tipo de elemento que venha a ser tóxico, afinal, os músicos ficariam mergulhados no mesmo ambiente que eles. Ainda tinha a parte dos sons; para conseguir ressoar da mesma forma que os instrumentos comuns, os objetos aquáticos teriam que ser gigantes – impossibilitando que os tocassem. Para resolver todos esses problemas, a solução foi criar instrumentos do zero. O responsável por essa empreitada foi Andy Cavatorta, escultor e músico que já havia criado instrumentos para a cantora islandesa Björk. Cavatorta desenhou e produziu todos os objetos, utilizando principalmente fibra de carbono.

O objetivo de tudo isso é, basicamente, inovar. De acordo com a descrição da apresentação, na página oficial da banda, o grupo em si e todos os colaboradores do projeto tinham “uma urgência em quebrar paradigmas e desafiar visões de mundo”. O único problema é que isso vai deixar muita gente na vontade, afinal, quem quiser ver eles ao vivoterá que esperar. A banda fez três apresentações durante o mês de maio, em Rotterdam, na Holanda, e desde então não anunciaram mais shows – apesar do sucesso nas críticas.  Enquanto eles não lançam novidades, você pode perder um tempinho no canal do Youtube da banda, lá algumas apresentações do grupo foram disponibilizadas online.

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