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A Lei de Murphy faz aniversário

Jogue o pãozinho no chão e comemore os 60 anos da lei do azar

Gisela Blanco

Quanto mais pressa você tem, mais devagar a fila anda. Quanto mais você precisa do seu celular, maior a chance de a bateria acabar. Saiu sem guarda-chuva? Pode apostar que vai chover. Todo mundo conhece a famosa Lei de Murphy: se alguma coisa pode dar errado, vai dar errado. Todos os piores cenários do azar são previstos por essa lei, que está completando 60 anos em 2009.

Ela surgiu em 1949, na Força Aérea dos EUA. Os engenheiros aeronáuticos haviam criado um novo (e perigoso) teste para medir a resistência do corpo humano à força da gravidade. Um voluntário ficava amarrado a uma cadeira que era acelerada num trilho a 320 km/h. Quando a cadeira atingia sua velocidade máxima, os engenheiros apertavam um botão e ela freava em menos de um segundo. Essa desaceleração violenta tinha como objetivo reproduzir os efeitos da gravidade sobre o organismo. No primeiro teste, o voluntário (um físico da Aeronáutica) saiu muito machucado, com vários ossos quebrados e vasos sanguíneos rompidos. Nos meses seguintes, o teste foi repetido várias vezes, sempre com o voluntário se arrebentando. Um sacrifício em nome da ciência. Mas um belo dia o capitão Edward Murphy Jr., que estava coordenando a experiência, percebeu que os técnicos haviam cometido um erro terrível. Os sensores haviam sido ligados ao contrário, e por isso não funcionaram – não foi possível medir a força da gravidade em nenhum dos testes. Todo o sofrimento do voluntário havia sido em vão. Que beleza! Foi aí que Murphy, muito irritado, cunhou a famosa frase que viria a se tornar a lei universal do pessimismo.

Desde então, diversos estudos e experiências tentaram comprovar cientificamente a Lei de Murphy, com resultados contraditórios. A emissora BBC e o programa Mythbusters constataram que, na prática, o pãozinho que cai da mesa tem a mesma chance de tocar o chão com a manteiga virada para cima ou para baixo. Logo, o seu café-da-manhã está a salvo da Lei de Murphy.

Mas um estudo feito por economistas ingleses revelou que, no mercado financeiro, ela realmente existe: quando coloca seu dinheiro numa empresa nova, que ainda não conhece, o investidor tem mais chance de perder do que de ganhar. A lei também faturou o prêmio Ig Nobel, concedido a descobertas inusitadas. “A Lei de Murphy nos faz rir e refletir ao mesmo tempo”, diz Marc Abrahams, diretor do prêmio. “Ela ajuda a considerar o que pode dar errado, algo necessário em qualquer trabalho científico”, afirma. Ou seja, é preciso pensar no pior para evitar que ele aconteça.