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A tragédia e nós

Estamos bem embaixo da Playboy. O que, infelizmente, a despeito do ângulo privilegiado, não nos permite ver nada superinteressante.)

Adriano Silva Diretor de Redação

Uma das matérias mais elogiadas da edição especial de aniversário que publicamos no mês passado foi a que mostrou, em 14 passos, para rimar com os 14 anos que comemorávamos, como fazemos a Super – cuja redação, diga-se, para quem gosta de coincidências numéricas, fica no 14º andar do Edifício Abril. (Estamos bem embaixo da Playboy. O que, infelizmente, a despeito do ângulo privilegiado, não nos permite ver nada superinteressante.)

Aquela edição nem bem tinha chegado às bancas e nos deparamos com a inacreditável terça-feira que encerrou uma era na história da humanidade e deu início a outra que ainda não sabemos bem que cara vai ter. Como lidar, em uma revista mensal, com uma notícia deste porte? A imprensa online, a diária e a semanal esmiuçariam os fatos à exaustão. A ponto de as imagens mais espetaculares jamais registradas por uma lente – o mergulho suicida do Boeing e o subseqüente colapso das torres gêmeas do World Trade Center – virarem, em questão de horas, um lugar-comum insuportável.

O que nos restava fazer? Poderíamos não publicar nada, uma vez que os fatos já tinham sido repetidos um número de vezes maior que o que você pode suportar – parafraseando Rudolph Giuliani, prefeito de Nova York, ao se referir ao provável número de mortos no atentado. Podíamos, por outro lado, produzir um dossiê, contando em detalhes tudo o que você já sabia. Nenhuma das alternativas nos agradava. Optamos por investir naquilo que a Super faz de melhor: análise de primeira qualidade. Com a nossa lente, mergulhamos no horror e de lá extraímos uma reportagem que mostra a você como funciona a mente de um terrorista. E que, de quebra, investiga os limites e a história do terror e delineia a nova ordem mundial inaugurada agora.

Nosso desejo é que essa capa da Super não seja só mais uma manchete sobre o atentado. Mas que ofereça a você visão e conhecimento inéditos. A empreitada – árdua – foi levada a cabo pelo editor especial Denis Russo Burgierman e pelos editores Rodrigo Cavalcante e Leandro Sarmatz.

Como a vida continua, estreamos este mês uma nova seção: “Super Fantástico”. Trata-se do bom e velho “E Se…” e seus suculentos cenários de ficção científica. Só que em novo formato, mais dinâmico, mais atraente.

Nesta edição, também, você recebe o especial Odisséia Digital 2, outro superguia para a Era Digital produzido por Jack London e Max Gehringer. (Agradeço a HP, Intel e Volkswagen por nos permitirem entregá-lo grátis a você .)

adriano.silva@abril.com.br