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Censura 18 anos

As coisas boas da vida que não eram para o seu bico, pirralho!

Clarissa Passos Garcia e Marcos Nogueira

Quem tem 30 anos ou mais deve lembrar do famigerado certificado de censura: era um pedaço de papel esmaecido que sempre aparecia na tela antes da exibição de um filme ou programa de TV, indicando a faixa etária que podia apreciar a atração. Os censores eram implacáveis com os artistas que mostravam, insinuavam ou falavam de sexo, nudez ou política. No melhor dos casos, classificavam a obra como proibida para menores de 18 anos (no pior, simplesmente proibiam sua divulgação).

Nós, é claro, éramos jovens demais para nos preocupar com o cerceamento à liberdade de expressão. Estávamos, sim, preocupados com o que poderia rolar de tão divertido no mundo dos adultos, ao qual não tínhamos acesso oficial. Não podíamos sair à noite, não podíamos ver filmes “picantes”, não podíamos comprar certas revistas. Até os discos de piadas do Costinha eram proibidos para nós! Em suma, éramos pirralhos.

Anos 70

1. Televisão

Com a ditadura a pleno vapor, não passava nada mais “forte” na televisão. E, ainda por cima, a todo 7 de setembro era reprisado o filme Independência ou Morte, com Tarcísio Meira no papel de D. Pedro I. Ainda se mostrassem a movimentada vida pessoal do imperador…

2. Cinema estrangeiro

Da França veio Sylvia Kristel. Ela interpretava a lasciva Emannuelle – que habitou os sonhos dos garotos até eles crescerem e verem como o filme era ruim. Mais cabeça, O Último Tango em Paris, de Bernardo Bertolucci, chocou o mundo com sua manteiga multiuso.

3. Cinema nacional

O Brasil vivia o auge das pornochanchadas – comédias em que tudo era pretexto para a nudez de Vera Fischer, Sandra Bréa e Aldine Müller, entre outras atrizes. Os filmes tinham títulos edificantes como A Ilha das Cangaceiras Virgens e Como é Boa Nossa Empregada.

4. Humor

Ary Toledo e Costinha eram os reis das piadas sujas, gravadas em discos de vinil de venda restrita a maiores. Os elepês eventualmente escapavam para as mãos (e ouvidos) das crianças – que reproduziam para os coleguinhas a última do casal de portugueses ou da bichinha.

5. Musa pornô

Os anos 70 viram a indústria dos filmes de sexo explícito florescer. O grande clássico dessa época é Garganta Profunda, em que Linda Lovelace vivia uma mulher com o clitóris alojado na garganta. Mais tarde, Linda se engajou em movimentos antipornografia.

6. Revista

Em 1975 nascia a Playboy (ainda com o nome Homem), que mostrava as musas de então, como Rose di Primo, em poses ousadas – mas nem tanto, já que pêlos eram proibidos. A grande alegria da molecada era acompanhar o pai para consertar um pneuna borracharia.

7. Balada

O lugar a que não podíamos ir à noite chamava-se discoteca. Tudo começou num clube de Nova York chamado Studio 54, com orgias movidas a cocaína. Mas nós não sabíamos disso: para a gente, a disco era John Travolta em Os Embalos de Sábado à Noite e Sônia Braga na novela Dancin’ Days.

Anos 80

1. Televisão

Com o relaxamento da ditadura, a TV exibia as pornochanchadas da década anterior.Às sextas-feiras, a sessão Sala Especial era programa obrigatório para depois que os pais tinham ido dormir. São também dessa época as coberturas de bailes carnavalescos com “modelos” desinibidas.

2. Cinema estrangeiro

Na esteira da manteiga de O Último Tango…, toda uma geladeira é esvaziada numa cena de sexo de 9 e 1/2 Semanas de Amor, com Kim Basinger. Sem legumes, Kathleen Turner foi quem realmente eriçou a rapaziada emCorpos Ardentes.

3.Cinema nacional e teatro

A pornochanchada deu lugar a filmes atormentados como Eue Amor, Estranho Amor,de Walter Hugo Khouri –a compensação era ver Monique Evans e Xuxa como vieram ao mundo. O besteirol nudista migrou para o teatro, em peças como Oh, Calcutá!.

4.Humor

O jornal Planeta Diário e a revista Casseta Popular, ambos feitos por estudantes cariocas, pegavam pesado nos palavrões em piadas que não perdoavam ninguém, de Caetano Veloso ao presidente.As 2 turmas se uniram e, para trabalhar na Rede Globo, precisaram se comportar.

5. Musa pornô

Os anos 80 tornaram populares o videocassete e os vídeos pornôs – assim como as aventuras da molecada para descolar uma fita.O clássico New Wave Hookers (“Prostitutas New Wave”) reuniu 2 estrelas do gênero em 1985: as loiras Traci Lords, que tinha só 17 anos, e Ginger Lynn.

6. Revista

Ah, as Playboy dos anos 80: Luciana Vendramini, Maitê Proença, Luiza Brunet, Vanusa Spindler, Vera Fischer, Maria Zilda, Cláudia Ohana, Suzane e Simone Carvalho, Christiane Torloni, Lídia Brondi, Luma de Oliveira (no auge), Tássia Camargo, Isadora Ribeiro…

7. Balada

No começo dos 80, havia uma coisa chamada roller: um misto de rinque de patinação com discoteca, com azaração sobre rodas. Treco meio estranho, onde a gente só podia ir no domingo à tarde. Depois, as casas noturnas passaram a se chamar danceterias e, mais tarde, surgiram as – ai! – lambaterias.