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De onde vêm as cores da bandeira e da camisa da seleção argentina?

Como um rei espanhol, feliz com o nascimento de seu neto, tomou uma decisão que acabaria colocando o branco e o azul claro no uniforme argentino.

Por Leo Caparroz
19 dez 2022, 18h48

Depois da vitória na final da Copa do Mundo, o clássico uniforme azul claro e branco ganha mais uma estrela acima de seu escudo. O manto da “albiceleste” é inspirado nas cores da bandeira argentina, e sua origem remete a antes da independência dos nossos irmãos latinos.

A Espanha do século 18 era comandada pelo rei Carlos III. Seu filho e sua Nora, Carlos IV e Maria Luísa de Parma, estavam casados há cinco anos e não conseguiam ter filhos. Quando o primogênito do casal, Carlos Clemente, finalmente nasceu, o rei Carlos III anunciou a criação da Ordem de Carlos III – uma condecoração para recompensar cidadãos espanhóis.

Um retrato de Carlos III com o hábito da sua ordem, no Palácio Real de Madri, pintado por Mariano Salvador Maella, em 1783-1784.
Retrato de Carlos III pintado por Mariano Salvador Maella, em 1783-1784. Mostra o rei vestindo o hábito com as cores de sua ordem: azul claro e branco. (Mariano Salvador Maella/Domínio Público)

Carlos III era católico – havia, inclusive, rezado e pedido para que Deus lhe abençoasse com um neto. A criação da Ordem foi uma maneira de mostrar sua gratidão pelo nascimento da criança. Sendo assim, escolheu como seus símbolos uma cruz de oito pontas com uma imagem da Imaculada Conceição e seda azul celeste e branca. A cor azul esteve muito associada à Virgem Maria ao longo da história da arte, por ser um pigmento caro e que denotava importância.

Pintura A Imaculada Conceição, de Giovanni Battista Tiepolo.
Obra A Imaculada Conceição, de Giovanni Battista Tiepolo. A pintura foi encomendada por Carlos III, e mostra a Virgem Maria vestida com o azul claro de sua ordem. (Giovanni Battista Tiepolo/Domínio Público)

Quando Napoleão começou a avançar seu império pela Europa no século seguinte, o rei Fernando VII (outro neto de Carlos III) foi deposto. Além dos espanhóis, quem não ficou nada feliz com essa mudança foram os argentinos, que ainda estavam sob o domínio do país ibérico. Então, para demonstrar sua lealdade ao monarca da Espanha, os rebeldes usavam as cores da Ordem de Carlos III para se distinguir dos apoiadores de José Bonaparte – o irmão de Napoleão, que o nomeou rei da Espanha.

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Tempos depois, durante a Guerra de Independência da Argentina, as cores foram recuperadas e incorporadas na nova bandeira. Criada por Manuel Belgrano, um dos líderes do movimento, usava as cores da revolta argentina para distinguir as forças revolucionárias das dos monarquistas. A bandeira seria adotada oficialmente em 1816 – de início sem o sol no centro, adicionado em 1818.

O futebol chegou ao país no final do século 19, trazido por ingleses. Em 1891, foi criada a primeira liga; e, em 1893 fundada a AFA (Asociación del Fútbol Argentino), o órgão que coordena o futebol no país – como a nossa CBF (Confederação Brasileira de Futebol).

Na primeira partida da história da seleção, um jogo contra o Uruguai em 1902, o time da Argentina usava uma camisa toda azul claro. Em 1908, em uma partida amistosa contra um time montado com jogadores do Campeonato Paulista, a seleção argentina usou pela primeira vez a camiseta azul clara com listras brancas. A “albiceleste” eventualmente se tornaria um ícone na história do futebol.

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