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Como é o trabalho de um dublê?

Confira o que há por trás dos tiros, capotamentos e explosões que temperam sua pipoca

 (Jubran/Superinteressante)

Desejo de Matar

Aqui não tem boi: as facas cenográficas são de verdade mesmo, já que as falsas não convencem. Para não machucar, eles serram a lâmina na metade do comprimento e fazem um modelo semi-retrátil: quando você a pressiona no corpo de alguém, metade da lâmina desliza para dentro. Mas o toque é suficiente para furar uma bolsinha de sangue presa no cidadão que toma a facada. E deixar a roupa dele toda suja. Uma mola põe a lâmina de volta na posição original. E ela está pronta pra outra.

Rocky, um Lutador

Como a tela tem duas dimensões, é difícil perceber a profundidade em que as coisas acontecem. Então eles costumam filmar os socos de frente, do jeito que aparece aqui. Aí, mesmo que a pancada passe longe, não tem problema: vai dar a impressão de que o outro tomou uma baita muquetada.

Máquina Mortífera

Você sabe: as armas que aparecem nos filmes usam balas de festim, sem projétil. Elas só servem para fazer barulho e dar um clarão na ponta do cano. Mas e se o diretor quiser que os tiros derrubem objetos, acertem a parede, furem vidros ou provoquem faíscas? Uma das alternativas é colocar um atirador de verdade atrás do ator. O sujeito usa uma arma de pressão, tipo aquelas de paintball, e manda brasa. Qual é a munição dele? Aguenta aí que a gente mostra.

Juventude Transviada

Naquelas brigas de bar sangrentas, as garrafas são de um composto tão translúcido e brilhante quanto o vidro, mas que esfarela à menor batida. Use com moderação quando fizer seu filme: cada uma custa uns 70 reais.

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Duro de Matar

Não dá para simular um sujeito rolando numa escada. Então esse é um dos tipos de cena que mais machucam os dublês. A recomendação é que consigam fazer a cena logo na primeira tentativa, já que dificilmente alguém suporta fazer isso muitas vezes. A técnica é a mesma da cambalhota – juntar a cabeça ao peito e rolar no chão com os ombros, costas e pernas. Joelheiras, cotoveleiras e cinto lombar, que protege a base da coluna, são indispensáveis.

Os Trapalhões

Como revelou Didi Mocó nos anos 80, os móveis que os caras jogam na hora da pancadaria são feitos de um material sintético quase tão leve quanto isopor.

Fuga de NY

Quando o carro foge depois de um atropelamento, o dublê rola sobre o capô, vai parar no teto e cai atrás do carro. O truque está na sintonia entre a “vítima” e o motorista. Ele dá uma freada pouco antes de atingir o dublê para abaixar o bico do carro. Isso facilita a subida no capô. Aí o motorista acelera para jogá-lo no teto do carro.

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Apertem os Cintos

Para fazer um carro capotar, usam uma rampinha de madeira – geralmente escondida atrás de outro carro. O dublê segura o volante com o braço direito cruzado sobre o esquerdo, sobe na rampa com uma roda só e descruza os braços para virar o volante. Esse movimento brusco provoca a capotagem. Não precisa dirigir rápido: a uns 30 km/h o possante tomba. Já para o carro dar piruetas no ar, usam uma rampa de ferro com a parte final mais inclinada.

Sem Licença para Dirigir

A reação normal de um motorista é parar o carro quando atropela alguém. Para simular isso, o condutor freia de leve para abaixar o bico do carro e breca de vez quando o dublê chega ao vidro. Então o sujeito rola de volta pelo capô até cair na frente do carro. Ao dublê, cabe não bater a cabeça no vidro e usar uma técnica tipo a do rolamento em escadas. A proteção também é a mesma. Mas que dói, dói.

Tiros na Broadway

Sabe a munição das arminhas de paintball? Então. Se a ideia é provocar uma faísca na lataria, atiram uma esfera com pólvora. Se é para dar a impressão de que a bala tirou lascas da parede, têm as bolinhas com argamassa dentro. Já para fazer buracos colocam explosivos no alvo e detonam na hora que o ator dá os tiros.

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O Foguete da Morte

Nem sempre dá para esconder a rampa numa cena de capotagem. Nesse caso, eles apelam para um foguete. É isso aí: colocam um tubo de ferro cheio de pólvora preso atrás do banco do passageiro. A boca do tubo fica virada para baixo, com um pedaço de madeira servindo de rolha. Antes de capotar, o dublê-motorista derrapa para aliviar o peso de um dos lados do carro. Quando o possante estiver bem inclinado, ele aciona o explosivo. E o carro sai voando.

Tempo de Violência

Quando a ideia é fazer com que os tiros estilhacem os vidros do carro, o bicho pega de verdade: usam o bom e velho chumbinho mesmo. A diferença é que, para entrar no cano da arma de paintball, ele vai encapsulado numa esfera de plástico.

Carruagens de Fogo

Simular tiro em pneu dá um trabalhão: colocam um detonador, ligado a um dispositivo de controle remoto e a uma bateria. Aí prendem o equipamento todo com silver tape e encaixam a roda no eixo. E detonam o explosivo por controle remoto na hora que o diretor quiser.

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Kill Bill

Aqui é a vítima quem comanda sua morte: quando o ator é alvejado, ele aperta um botão que libera sangue artificial na roupa. Ele carrega uma bolsa de sangue artificial com um explosivo fraquinho, tipo uma espoleta, colado em cima. E fica com um controle remoto na mão para acionar o dispositivo. Na hora em que ele “toma o tiro”, aperta o botão. Aí é só fingir de morto.

O Carro Assassino

Para incendiar o carro, colocam até 4 bombas lá dentro. Em cada uma, vão 2 pacotes com 200 g de pólvora, 1 saco com 10 litros de gasolina mais 1 par de detonadores. Aí é só explodir a mistura por controle remoto. E não, não fica dublê nenhum dentro do carro nessas horas.

Exterminador

Encenar um tiro na cabeça é fácil: basta usar uma zarabatana munida com uma bolinha de sangue artificial.

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Mississippi em Chamas

Fogo! Antes de entrar em chamas, o dublê usa 3 camadas de proteção debaixo da roupa. E carrega também o combustível: uma pincelada de cola de sapateiro nas costas. Quando a roupa incendeia, ele precisa correr para evitar que o rosto incendeie também. E deve prender a respiração, senão fica intoxicado com a fumaça. Em alguns segundos a equipe corre para acudi-lo com extintores e cobertores molhados. Ufa.

Inferno na Torre

Para finalizar em grande estilo, vamos jogar alguém de um prédio. Quando o sujeito cai de até 6 andares (uns 20 m), a proteção é feita com caixas de papelão intercaladas por colchões e espuma. Em quedas do 1o andar, 2 m de caixas são suficientes. Quando a queda é de alturas na faixa de 40 m, apelam para grandes colchões de ar.

Janela Indiscreta

Nada mais comum que o sujeito saltar por uma janela ou por uma porta de vidro. Comum porque é fácil de fazer: é só colocar 6 explosivos na moldura. Pouco antes de o dublê tocar a janela, um técnico de efeitos aciona os detonadores. A vidraça não quebra, só trinca. Aí dá para atravessar a janela na boa. E o dublê sai ileso, já que usam vidro temperado, daquele que só produz cacos sem ponta.