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Ele joga para o time

Eu já vi gente sair do elevador de cabeça e autoestima baixas quando ele entra.

Adriano Silva

Adoro folhear a revista assim que ela sai da gráfica, o exemplar ainda quentinho do forno. Viajo por ele quase como se ele fosse inédito para mim. A primeira lida na revista pronta é mágica. Funciona como o show para uma banda. Todo o longo processo de confecção é ensaio. O palco – a revista como ela vai para a banca – é outra coisa. Aí é para valer, é ao vivo. Há no encontro com o primeiro exemplar acabado uma certa aura que eu não sei explicar e que adoro sentir.

Folheando a última edição – e saboreando esse breve momento em que consigo ler a Super como um leitor e não como o seu editor – percebi a ubiqüidade do repórter Rafael Kenski nas páginas da revista. Rafa, como o chamamos, assinava notas em “Supernovas”, perguntas em “Superintrigante”, resenhas em “Supercult”. De quebra, tinha realizado uma reportagem, a entrevista de “Superpapo” e todo o “Superzoom”. Uau. Pude confirmar ali que Rafa é o nosso Zinho, o nosso César Sampaio – um craque que doa seu talento ao time de modo discreto e constante. Tipo de jogador com que qualquer técnico adora contar.

Mas o fundamental, que ainda não revelei aqui, é que Rafa acaba de ser aclamado, por belas experts, o homem mais bonito do Brasil. De fato, aos 24 anos, feitos agora em março, Rafa impõe um silêncio respeitoso sempre que adentra a redação. A princípio não entendia o motivo. Só com o tempo compreendi que se tratava da sua opressiva proporção helênica calando os menos favorecidos. (Rafa é um daqueles caras que, como dizia Nelson Rodrigues, chegam em casa, desabotoam o peito cabeludo em frente ao espelho e bradam para o próprio reflexo: “Vai ser bonito assim no inferno!”) Eu já vi gente sair do elevador de cabeça e autoestima baixas quando ele entra.

Apesar dessa singular capacidade de atrair corações despedaçados e invejas rancorosas com seu queixo duro de galã dos anos 50, Rafa, que se formou em jornalismo pela PUC-SP em 1999 e entrou na Super assim que saiu do Curso Abril de Jornalismo, no início de 2000, jamais aceitou vencer na vida ou subir na carreira apenas por sua estarrecedora beleza. (Não que eu saiba, pelo menos.) Em conseqüência, tratou desde cedo de solidificar sua instrução. De um lado, conhece as esquinas mais bizarras da internet. (Ele é o nome por trás da divertida coluna Ciência Maluca, de “Supernovas”.) De outro lado, vai vencendo os russos – Tolstói, Gogol, Dostoievsky. E assim, combinando erudição com veia pop, trilha com passo próprio o caminho eclético e ilustrado dos grandes jornalistas.

Você, leitor, tenha certeza, pode esperar ainda muitas alegrias com as atuações de Rafa na Super. E, por favor, não se sinta humilhado com a foto colocada ali em cima. Ele não tem culpa de ter nascido assim.

Em tempo: já está nas bancas o especial Livro dos Extremos, o fabuloso livro dos recordes da Super. Reserve já o seu!