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Gil e Caetano: Um conto de duas cidades

Por Da Redação Atualizado em 31 out 2016, 18h49 - Publicado em 31 out 2004, 22h00

Texto Ricardo Alexandre

Poucos dias depois do AI-5, a Polícia Federal prendeu as figuras mais expostas do tropicalismo. Com Gil e Caetano exilados em Londres, o movimento foi desarticulado, o show-biz brasileiro se viu perplexo e a classe artística amedrontada. Naqueles dois anos, a história da música brasileira e do rock produzido no país sofreu seu mais violento desvio de rota

Pra falar a verdade, em sua época, o tropicalismo passou longe de ser um sucesso comercial – de fato, o álbum-manifesto Tropicália ou Panis et Circensis amargou bons anos como sinônimo de desperdício de dinheiro no mercado fonográfico brasileiro.

Mas Gil e Caetano eram personagens famosos entre o grande público por causa de suas aparições televisivas espalhafatosas, sua habilidade em usar o marketing do choque e o trânsito entre um extremo da vanguarda (dos maestros paulistanos que faziam música aleatória e música eletrônica) ate o outro, do pop juvenil (Roberto Carlos jamais esqueceu dos elogios do baiano “quando todo mundo falava mal da jovem guarda”). O astro Wilson Simonal havia citado nominalmente Caetano na faixa “Remelexo”; o grupo psicodélico Suely & Os Kantikus também, em “Que Bacana”. Entre pobres e ricos, entre cafonas e hips, pegava muito bem gostar daquele povo.

Zuza Homem de Mello defende que foi só em setembro de 1968, com Caetano e os Mutantes levando tomates da platéia durante o Festival Internacional da Canção, que o tropicalismo ganhou cara pública. Curioso que um mês antes, os ideólogos originais da coisa já haviam organizado um especial de TV para a Rede Globo anunciando a “morte” do tropicalismo – seria o Vida, Paixão e Banana do Tropicalismo, suspenso na última hora. Ou seja, o público do FIC alvejou um movimento morto. O que nos faz entender toda a percepção tropicalista atual como um mero reflexo distorcido da explosão original, misturando ruídos de emoções pessoais, jogadas de marketing e uma impressionante sucessão de mal-entendidos.

Revólver

Não dá pra negar que, cada vez mais, os tropicalistas radicalizavam nas agressões. Em dezembro, Caetano apareceu na TV cantando a marchinha natalina “Boas Festas” com um revólver apontado para a cabeça – e o programa Divino Maravilhoso foi cancelado após pouco mais de um mês no ar. Montaram um show na Boate Sucata, no Rio de Janeiro, em que o cenário era adornado pela frase “Seja marginal, seja herói”. Entretidos com suas roupas de plástico e seus pedais de distorção, eles nem notaram que entrávamos no período mais barra-pesada da ditadura, após o anúncio do famigerado Ato Institucional nº 5. O radialista Randal Juliano espalhou o boato de que, durante o show na Sucata, Gil e Caetano achincalhavam o “Hino Nacional Brasileiro”.

As provocações cessariam na manhã do dia 27 de dezembro de 1968, quando uma caminhonete com agentes da Polícia Federal levou Gil e Caetano de suas casas em São Paulo para um interrogatório no Rio de Janeiro. “Eu não tenho nada com isso, a esquerda até diz que eu sou americanizado!”, afirmou Caetano aos policiais. Mas os critérios da repressão eram mais imprevisíveis do que qualquer arranjo de Rogério Duprat. Caetano e Gil ficaram presos quase dois meses, por, supostamente, incitar a juventude à rebeldia. Tiveram seus cabelos raspados e só foram soltos na Quarta-Feira de Cinzas de 1969. Os parceiros foram obrigados a se manter em Salvador, Bahia, se apresentando diariamente à polícia e proibidos de tocar em público ou dar entrevistas. Depois de quatro meses, negociam com a Polícia Federal de se mudarem para a Inglaterra e tentar seguir carreira do outro lado do Atlântico.

A Philips bancou seis meses “de adaptação” dos dois (mais o empresário Guilherme Araújo) e suas famílias no bairro de Chelsea. O período que passaram em Londres, de julho de 1969 a janeiro de 1972, foi uma espécie de vértice da música brasileira, no qual dois estetas apolíticos se revestiram de significância política, no qual o tropicalismo deixou de ser visto como rock (logo, “descartável”) e virou MPB (logo, “sério”). “Mesmo os que combatiam o tropicalismo se solidarizaram”, lembrou o jornalista Nelson Motta em seu livro Noites Tropicais. “Muitos até se sentiram culpados, todos se sentiram ameaçados, as polêmicas musicais tiveram uma trégua, mais do que nunca a ditadura era o inimigo comum.”

Com a carreira interrompida, Gil e Caetano viviam de direitos autorais. No Brasil, estabeleceu-se uma verdadeira corrida solidária. Erasmo gravou “Saudosismo” e “De Noite, na Cama”; Roberto gravou “Como Dois e Dois”, Elis Regina gravou “Fechado pra Balanço” e “Não Tenha Medo”; Bethânia ficou com “A Tua Presença” e “Janelas Abertas nº 2”; Gal recebeu “London, London”, que lançou em compacto de grande sucesso, e ainda registrou “Deixa Sangrar” e “Você Não Entende Nada”.

De passagem pela Europa no segundo semestre de 1969, Roberto Carlos foi visitar os colegas. Sensibilizado, compôs o grande hino de solidariedade pessoal, “Debaixo dos Caracóis de Seus Cabelos”, e ainda deu voz aos versos “tudo vai mal (…) quando canto e sou mudo” (em “Como Dois e Dois”). Jorge Ben também demonstrou carinho em “Mano Caetano”. Um dos maiores hits do ano de 1970 foi o rock-soul “Quero Voltar pra Bahia”, do pernambucano Paulo Diniz, que forjou a imagem de Caetano no exílio, como um homem triste, saudoso do “sol dourado”. O exílio dos baianos mobilizou praticamente todo mundo envolvido com música no Brasil. E Caetano e Gil, de forma tão involuntária quanto sua fama de “subversivos”, se tornaram símbolos da covardia e da arbitrariedade daquele momento.

Internacional

André Midani, que havia assumido a direção da Philips bem no meio do levante tropicalista, era um especialista em desarmar bombas. Em seu elenco havia Chico Buarque exilado na Itália, Nara Leão exilada na França, praticamente todos os tropicalistas encrenqueiros e uma gama incrível de agitadores “perigosos” – especialmente os ligados aos movimentos black. Por duas vezes, teve sua fábrica de vinis cercada por policiais militares. Midani tentou negociar com a Philips londrina um contrato internacional para Caetano e Gil. Os oferecimentos foram muitos, mas os britânicos não demonstravam interesse. Nem sequer shows – que Guilherme Araújo tentava vender no Reino Unido – eles conseguiam. Coincidentemente, alguns meses depois, um diretor da Philips inglesa, Leslie Gould, deixou a companhia para montar um selo independente especializado em trilhas sonoras de filmes da Paramount. Gould chamou o pianista Ralph Mace para cuidar da pequena linha de produtos originais do selo, batizado de Famous. Na época, Mace estava bastante próximo dos baianos em Londres e concluiu que aqueles dois artistas, se eram “difíceis” demais para a Philips britânica, talvez estivessem na medida para aquele pequeno selo iniciante. Para facilitar a negociação, Midani rescindiu o contrato nacional de Gil e Caetano e ainda se comprometeu a licenciar no Brasil os discos que a Famous produzisse. Seria um excelente negócio para todos.

O primeiro a entrar em estúdio foi Caetano. Caetano Veloso saiu na Inglaterra no segundo semestre de 1970, com distribuição e promoção da EMI – e foi lançado no Brasil pela Philips um ano depois. Quase todo cantado em um inglês claudicante, o LP foi ignorado mesmo nos círculos mais destemidos do underground europeu. O próprio Caetano o definiu como “um disco que não se move, que não anda”.

A Famous acreditava tremendamente no disco de Gilberto Gil que começou a ser gravado imediatamente após o de Caetano – na verdade, o próprio Gil, com sua guitarra e suas covers de Blind Faith e Beatles, imaginava poder se integrar à cena pop da época. Faz certo sentido: Caetano era evidentemente menos músico e mais homem de idéias – isso fica claro em entrevista ao jornal Bondinho, de 1972, na qual confessou que nos primórdios do tropicalismo ele imaginava que seria mais uma espécie de coordenador do que um cantor. Na Inglaterra, sem dominar a língua, sem manipular a mídia, vitimado pela estética do choque que o encarcerara e o exilara, dá para entender o quão deslocado Caetano se sentia.

O problema de Gil era que Ralph Mace achava que jamais encontraria por lá músicos capazes de acompanhá-lo. Por isso, o produtor sugeriu um estúdio de ponta, o Chappell’s, com 24 canais, onde o brasileiro registrou todo seu novo repertório ao violão e depois, camada por camada, somou guitarras, baixo, percussão, vozes. Apenas dois convidados contribuíram para o LP: o baixista Chris Bonett e o guitarrista Mick Ronson (futuro homem forte da Spiders from Mars de David Bowie). Gil frustrou-se com o disco, homônimo. Ele queria era formar uma banda, gravar um disco elétrico e cair na estrada. Os brasileiros conseguiram, no máximo, algumas apresentações em universidades inglesas, aparições televisivas na Holanda e pequenos shows pela Europa.

Pós-tropicalismo

Em janeiro de 1971, Caetano conseguiu uma autorização oficial para passar um mês no Brasil, por causa do aniversário de 40 anos de casamento dos pais. Todos os seus passos foram monitorados. Aproveitou sua estadia para dar entrevistas (sempre confusas, pois ninguém podia perguntar o que queria e ele não podia responder a verdade), gravar um compacto para o carnaval baiano com o proto-axé “Samba, Suor e Cerveja” e participar de um programa de TV ao lado de João Gilberto e Gal Costa. Esse programa, levado ao ar pela Tupi alguns meses depois, foi momento histórico de conciliação entre o que até então era antagônico. Guitarras berrantes e distorcidas foram silenciadas pelo canto cool e elegante do mestre. No subtexto, era mesmo um momento de afirmação de uma certa “casta” na música brasileira.

De fato os tempos mudavam: Roberto Carlos migrava rapidamente para uma imagem e um repertório adultos, como cantor romântico. Os Mutantes pendiam cada vez mais para o rock progressivo – o que provocaria a saída de Rita Lee e o desmantelamento do grupo. Tom Zé era, segundo ele próprio, “enterrado vivo” sob a fama de anticomercial. Torquato Neto se suicidaria em setembro de 1972. Tudo somado, desencadeou um reducionismo criminoso da memória tropicalista.

Nesse momento, a MPB (que, até então, significava apenas o tipo de música nacional produzida após a bossa nova, com influências nordestinas, como “Disparada”) passou a significar toda música brasileira “de qualidade”. Gal, Caetano e João na TV Tupi eram MPB “de verdade”. Ao rock, dali em diante, restavam as revistas underground como a nossa Rolling Stone pirata e o Bondinho, as sessões malditas em pequenos teatros, os festivais sob chuva em Saquarema. A nata da MPB deixara as revistas populares em direção aos recém-criados cadernos culturais. Era um fosso tão bobo quanto o que os tropicalistas fecharam em 1968, mas dessa vez não houve reação por parte destes – agora, eles estavam do lado comercialmente mais interessante do alambrado.

Gal ainda vivia seu último e mais fulgurante momentos no rock. Com poucas roupas multicoloridas e extremamente influenciada por Janis Joplin, psicodelismo e hard rock, a cantora estava no Teatro Tereza Rachel com o show Fa-tal, um retrato indelével daquele início de anos 70. A cantora estava tão colada à sua época que um trecho da Praia de Ipanema, no Posto 9, ficou conhecido como “Dunas da Gal”. Dali um ano, a mesma moça já estaria gravando “Índia” e “Desafinado” e se preparando para assumir o confortável posto de “diva da MPB” que defende até hoje.

De certa forma, Fa-tal era, na época, o único fruto do tropicalismo às vistas do grande público. De resto, os herdeiros assumidos dos Novos Baianos, que deixavam o acid-rock original para uma mistura de samba-futebol-maconha-hippismo de impressionante eficiência. Jorge Mautner voltara do exílio nos Estados Unidos para retomar sua carreira bastante próximo dos tropicalistas que influenciou. Walter Franco levava as experiências com o concretismo a seus limites ao defender “Cabeça” no FIC de 1972 – o experimento de vozes sobrepostas causou tanta polêmica que o júri acabou deposto. O próprio show Fa-tal jogou luz sobre outro grande pós-tropicalistas, Luiz Melodia (de “Pérola Negra”).

Caetano voltou à Inglaterra muito animado. Era meio claro para todo mundo que a tal “carreira internacional” naufragara e que, no Brasil, havia um campo enorme a ser ceifado. Convenceu a Famous a registrar um “disco brasileiro” e bancar a passagem de Jards Macalé, Tutti Moreno, Moacyr Albuquerque e Áureo de Sousa. Montou uma banda, como Gil quisera fazer antes, e ensaiou todo o novo repertório em uma igreja em Chalk Farm. Transa foi gravado praticamente ao vivo no estúdio, sob um excepcional trabalho de engenharia sonora de Ralph Mace, arranjos fluidos e roqueiros de Macalé e uma intrincada teia lírica de onde cabiam citações de Caymmi, Edu Lobo, Zé do Norte, Monsueto, Gregório de Mattos e até o recém-descoberto reggae. Caetano é um dos muitos a considerar Transa seu melhor disco. Quando o álbum foi lançado no Brasil, em março de 1972, ele e Gil já estavam de volta ao país, em definitivamente.

Essa mesma fase de redescoberta empurrou Gilberto Gil para o estúdio tão logo chegou ao país. Talvez como reação à sua frustração internacional, ele saiu com um verdadeiro marco de pop legitimamente brasileiro, agreste e sofisticado – Expresso 2222 abriu caminho para o “free nordestino” do Quinteto Violado ou as estranhas experiências medievais do Quinteto Armorial. Gil e Caetano voltaram de Londres tão diferentes entre si que pareciam cobrir todo o espectro possível da música pop brasileira – essas diferenças, intencionalmente ou não, seriam alimentadas ao longo dos anos seguintes.

Esse processo de emepebização foi concluído em 1974, quando Guilherme Araújo reuniu os amigos exilados a Gal e Bethânia para o projeto Doces Bárbaros. Ali, sim, o sonho acabara, para dar lugar aos anos 70 que temos na memória: tempos de muitos excluídos (Macalé, Torquato, Tom Zé, Arnaldo Baptista… a lista não tem fim), muitos malditos e muita/pouca MPB – seja lá o que essa sigla medonha queira dizer. E quem não dormiu no sleeping bag, pobrezinho, nem sequer sonhou.

O guitarrista: Lanny Gordin

Ele foi o músico mais importante da fase pós-tropicália e ajudou a definir a sonoridade da época com solos incríveis, performances endiabradas e arranjos criativos. Nascido em Xangai, China, em 1951, Alexander Gordin, o Lanny, revelou-se um prodígio da guitarra ainda na adolescência, quando tocava na boate Stardust, de seu pai, em São Paulo. Espantado, Hermeto Pascoal o convidou para o Brazilian Octopus, com o qual gravou num disco em 1969 o solo ardido de “Momento B/8” e sua composição “O Pássaro”. Pelas mãos de Rogério Duprat, Lanny presenteou os baianos com algumas das guitarras mais incendiárias e inventivas do rock brasileiro. Além de gravar nos discos Build Up, de Rita Lee, Carlos, Erasmo, do Tremendão, Expresso 2222, de Gil, e Jards Macalé, estrelou cenas antológicas com Caetano ao gravar as guitarras do “disco branco” deitado – ele também é co-autor de “De Cara”, do disco Araçá Azul. Com Gal, tocou, arranjou e dirigiu Fa-tal – o riff de “Como 2 e 2” é de arrepiar. Lanny superou anos de defasagem em relação à linguagem da guitarra com saltos harmônicos exuberantes. Mesmo esquecido nas décadas seguintes, ele conseguiu em alguns anos, mais precisamente entre 1969 e 1972, deixar um legado riquíssimo – e ainda pouco explorado – para o rock nacional.

1970

FEVEREIRO

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• Numa sexta-feira 13, é lançado o marco inicial do heavy metal, o primeiro disco homônimo do grupo Black Sabbath.

MAIO

• Os Beatles anunciam sua separação.

• Secretaria de Imprensa da Presidência da República afirma que nas prisões brasileiras “não há tortura nem presos políticos”.

JUNHO

• O Brasil ganha a Copa do México, após derrotar a Itália por 4 a 1.

AGOSTO

• Começa a terceira edição do Festival da Ilha de Wight, na Inglaterra, reunindo artistas como Richie Havens, Doors e Jimi Hendrix

• Lou Reed faz seu último show com o Velvet Underground.

SETEMBRO

• Morre o guitarrista Jimi Hendrix, sufocado pelo próprio vômito.

OUTUBRO

• Morre de overdose a cantora Janis Joplin. Dias depois, sai seu álbum Pearl.

DEZEMBRO

• Estréia no Canecão o show Roberto Carlos a 200 km/h, primeira superprodução de um artista brasileiro.

1971

JANEIRO

• Charles Manson é condenado à prisão perpétua pelos assassinatos cometidos em 1969.

FEVEREIRO

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• A nave Apollo 14 chega à Lua.

JULHO

• O vocalista dos Doors, Jim Morrison, é encontrado morto.

AGOSTO

• Depois de ser acusado de seqüestrar e torturar um contador, Wilson Simonal é sugerido pela imprensa como delator de artistas à Polícia Militar.

SETEMBRO

• O guerrilheiro Carlos Lamarca é assassinado por um grupo de 20 policiais, na Bahia.

DEZEMBRO

• Première do filme Laranja Mecânica, de Stanley Kubrick, nos Estados Unidos. O longa é proibido no Brasil por quase dez anos.

O personagem: Jards Macalé

Filho de um contra-almirante da Marinha, o carioca Jards Macalé começou sua carreira como copista da Orquestra Tabajara, aos 14 anos. Logo no final dos anos 60, se envolveu, por intermédio de Guilherme Araújo, com Gal, Caetano, Bethânia (para quem fez arranjos) e Gil. Numa pioneira atitude independente, criou a efêmera Tropicarte ao lado de Paulinho da Viola, Gal Costa e Capinam, na intenção de produzir seus próprios eventos. Em 1969, defendeu “Gotham City” no Festival Internacional da Canção ao lado do grupo black-psicodélico Os Brazões. Seu trabalho com Gal Costa (com quem tocou e arranjou no disco Le-Gal, de 1970) transformou-o numa figura cultuada. Em 1971, Caetano contou com sua direção musical no álbum Transa, gravado em Londres. Naquela época, Macalé estava em grande evidência graças ao sucesso de sua balada “Vapor Barato”, composta em parceria com Wally Salomão e lançada por Gal Costa em plena fase Fa-tal. (Nos anos 90, a música voltou às paradas em regravação do grupo O Rappa). Quando Transa foi lançado, a falta de crédito aos músicos iniciou uma rusga que culminaria no rompimento de Macalé com todo o grupo baiano. Sua carreira-solo, bissexta, inclui momentos brilhantes como Aprender a Nadar de 1974, mas a fama de “maldito” o afastou do grande público.

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