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Livros

Por trás da fogueira

História Noturna, Carlo Ginzburg, Companhia das Letras, São Paulo, 1991

Trata-se de uma nova interpretação do sabá, um ritual noturno, realizado na presença do diabo, em que se celebravam banquetes, orgias, cerimônias antropofágicas e profanações de ritos cristãos. O autor, historiador italiano especializado no estudo de heresias, quer descobrir quais os motivos que levaram milhares de mulheres a confessar, durante três séculos, que eram de fato, bruxas e, como tal, adoradoras do capeta e condenadas a morrer na fogueira. A partir daí, Ginzburg tenta refazer os caminhos que levaram ao surgimento e formação do sabá, de que forma ele se incorporou à história do Ocidente e o que se escondia por trás dele.

Terra Viva

As eras de Gaia, James Lovelock, Editora Campus, Rio de Janeiro, 1991

A partir de suas observações sobre a vida do planeta, o autor, biólogo inglês, descreve os últimos avanços da Geologia, da Geofísica e da Biologia Evolutiva, para defender sua teoria – a Hipótese Gaia – de que a Terra é um ser vivo, desde as profundezas de seu núcleo até a atmosfera: que existe uma interdependência entre os organismos vivos e o meio ambiente. Embora tenha conseguido atrair a atenção de cientistas das mais diferentes áreas, a hipótese de Lovelovk – que diverge da tradicional que diz ser a Terra uma rocha inerte sobre a qual vivem plantas e animais – ainda é uma questão polêmica entre os pesquisadores.

Dia-a-dia do império

O Brasil do tempo de Dom Pedro II, Frédéric Mauro, Companhia das Letras, São Paulo, 1991

Com base em relatos de viagem, o autor, historiador Frances, reconstrói o cotidiano durante o império de Dom Pedro II (1831-1889). Concentrando-se principalmente no Rio de Janeiro, Mauro descreve a vida social de seus habitantes, na corte e nas fazendas, ricos e pobres, brancos e negros. Na capital do país, as belezas naturais e a elegância das lojas, cafés e sorveterias da rua do Ouvidor contrastavam com as doenças, a sujeira e a insalubridade, mostrando claramente o descompasso entre a modernidade e o atraso.

Apogeu das elites

Veneza e Amsterdã, Peter Burke, Editora Brasiliense, São Paulo, 1991

Durante o século XVII, as repúblicas de Veneza e Amsterdã viveram seu apogeu e tinham muitas coisas em comum: o refinamento da vida artística, o dinamismo do comercio e uma ativa participação política de seus cidadãos. A partir do estudo das biografias dos doges venezianos e dos burgomestres amsterdameses, o autor, historiador, alemão, estabelece uma comparação entre essas elites.

Crenças populares

Religião e o declínio da magia, Keith Thomas, Companhia das Letras, São Paulo, 1991

Que papel desempenhavam bruxos, feiticeiros, curandeiros, astrólogos e adivinhos na Inglaterra dos séculos XVI E XVII? É a isso que o autor, professor da Universidade de Oxford, tenta responder, analisando as crenças dos ingleses. Segundo Thomas, elas funcionavam como uma espécie de alivio naqueles tempos difíceis de muita pobreza, doenças e precário tratamento médico. Nessas crenças, que incluíam também velhas profecias, fantasmas e duendes, os homens encontravam as explicações para seus infortúnios.

Influência vienense

A Viena de Wittgenstein, Allan Janik e Stephen Toulmin, Editora Campus, Rio de Janeiro, 1991

Um livro e seu significado; um homem e suas idéias; uma cultura e suas preocupações; uma sociedade e seus problemas. Assim, os autores, filósofos americanos, definem o tema sobre o qual escreveram. O homem é Ludwig Wittgenstein (1889-1951), um dos mais importantes filósofos deste século, autor de Investigações Filosóficas e do Tractatus Logico-Philosophicus: a cultura e a sociedade, a Viena dos Habsburgos – antes da Primeira Guerra Mundial e da derrocada do império austro-húngaro -, onde ele nasceu e viveu sua infância e juventude. Os autores mostram como a cidade teve influência no trabalho e no pensamento de Wittgenstein.